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  • Parlamento aprova novo Código do IRPS: o que muda para os trabalhadores e por que a nova lei divide opiniões em Angola

    Parlamento aprova novo Código do IRPS: o que muda para os trabalhadores e por que a nova lei divide opiniões em Angola

    Parlamento aprova novo Código do IRPS: o que muda para os trabalhadores e por que a nova lei divide opiniões em Angola

    Notícias |25 de Junho de 2026

    Parlamento aprova novo Código do IRPS e abre um novo capítulo no sistema fiscal angolano

    A Assembleia Nacional aprovou, esta quinta-feira, em votação final global, a proposta de Lei do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRPS), uma das mais importantes reformas fiscais dos últimos anos em Angola. A iniciativa legislativa, apresentada pelo Presidente da República, João Lourenço, foi aprovada apenas com os votos favoráveis do MPLA, enquanto a UNITA e o PRS votaram contra, considerando que alguns dos seus artigos suscitam preocupações de natureza constitucional e social.

    A nova legislação estabelece um regime único para a tributação dos rendimentos das pessoas singulares e introduz alterações significativas na forma como os rendimentos dos cidadãos passam a ser tributados. Entre as principais medidas aprovadas destaca-se a isenção de imposto para rendimentos do trabalho dependente até 105 mil kwanzas mensais, procurando proteger os trabalhadores com menores rendimentos.

    A aprovação do diploma representa um marco importante na estratégia do Executivo para modernizar o sistema tributário nacional, reforçar a arrecadação de receitas públicas e promover maior justiça fiscal. No entanto, o debate parlamentar revelou profundas divergências entre os partidos políticos quanto ao impacto real da medida na vida dos cidadãos.

    Como decorreu a votação

    O diploma foi aprovado com:

    • 101 votos favoráveis do MPLA;
    • 66 votos contra da UNITA e do PRS;
    • 2 abstenções.

    Apesar da maioria parlamentar ter garantido a aprovação da proposta, o debate foi intenso, sobretudo devido às consequências económicas que a nova legislação poderá ter para trabalhadores, empresários, profissionais independentes e pequenos comerciantes.

    O que é o IRPS?

    O Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRPS) é um imposto que incide sobre os rendimentos obtidos pelas pessoas singulares, independentemente da forma como esses rendimentos são recebidos.

    A nova lei estabelece que serão tributados tanto os rendimentos pagos em dinheiro como aqueles recebidos em espécie, independentemente:

    • da origem do rendimento;
    • do local onde foi obtido;
    • da moeda utilizada;
    • da forma como foi recebido.

    Na prática, o novo código procura reunir num único regime fiscal diferentes tipos de rendimentos anteriormente enquadrados em sistemas distintos.

    Quais os rendimentos abrangidos?

    O novo Código do IRPS abrange diversas categorias de rendimento, entre elas:

    • Rendimentos do trabalho dependente;
    • Rendimentos empresariais;
    • Rendimentos profissionais;
    • Rendimentos de capitais;
    • Rendimentos prediais;
    • Incrementos patrimoniais.

    Esta abrangência faz com que um número significativo de cidadãos passe a integrar o novo sistema de tributação.

    Quem fica isento?

    Uma das principais novidades da lei é a criação de uma faixa de isenção.

    Os trabalhadores que aufiram rendimentos do trabalho dependente até 105 mil kwanzas ficam dispensados do pagamento do IRPS.

    Segundo o Governo, esta medida pretende proteger os cidadãos com menores rendimentos e reduzir o impacto fiscal sobre as famílias de menor capacidade económica.

    Argumentos do MPLA

    Na declaração política de voto favorável, o deputado Raul Lima afirmou que a aprovação do novo Código representa mais um passo na modernização do Estado angolano.

    Segundo o parlamentar, a reforma permitirá:

    • fortalecer a justiça fiscal;
    • simplificar o sistema tributário;
    • aumentar a transparência;
    • promover a formalização da economia;
    • proteger os rendimentos mais baixos.

    O MPLA entende que um sistema fiscal moderno constitui uma condição essencial para garantir maior sustentabilidade das finanças públicas e criar melhores condições para o desenvolvimento económico do país.

    As críticas da oposição

    Apesar da aprovação, a oposição manifestou fortes reservas relativamente ao conteúdo do diploma.

    O deputado Benedito Daniel, do PRS, considerou que as taxas previstas são excessivamente elevadas e poderão agravar as dificuldades económicas enfrentadas por muitos cidadãos.

    Segundo o parlamentar, o partido não rejeita a existência do imposto, mas discorda das percentagens aplicadas, defendendo que estas deveriam ser mais reduzidas e ajustadas à realidade económica nacional.

    Já o deputado Faustino Mumbika, da UNITA, afirmou que o novo Código poderá aumentar significativamente a pressão financeira sobre trabalhadores, pequenos empresários e profissionais independentes.

    Entre as principais preocupações levantadas pela UNITA destacam-se:

    • tributação de pequenos empreendedores;
    • impacto sobre jovens e mulheres que trabalham por conta própria;
    • acesso da Administração Tributária às informações financeiras dos contribuintes;
    • eventual violação do sigilo bancário;
    • dúvidas quanto à constitucionalidade de algumas disposições.

    Para a UNITA, algumas normas do diploma poderão representar riscos para os direitos fundamentais dos cidadãos.

    Governo defende reforma estrutural

    No relatório que fundamenta a proposta, o Executivo considera que a adopção de um imposto único sobre o rendimento das pessoas singulares constitui um avanço significativo na evolução do sistema fiscal angolano.

    Segundo as autoridades, a nova legislação permitirá:

    • maior eficiência na cobrança de impostos;
    • harmonização das regras tributárias;
    • simplificação dos procedimentos;
    • melhoria da administração fiscal;
    • aumento da transparência.

    O Governo entende igualmente que um sistema fiscal mais organizado contribuirá para o crescimento económico e para uma melhor distribuição da carga tributária.

    Quem será abrangido pelo novo imposto?

    Estão sujeitos ao IRPS:

    • cidadãos residentes em Angola;
    • cidadãos não residentes que obtenham rendimentos em território nacional.

    Assim, qualquer pessoa singular que obtenha rendimentos abrangidos pela lei poderá ficar sujeita às novas regras fiscais, respeitando as isenções e os escalões definidos no diploma.

    O impacto esperado

    Especialistas consideram que a implementação do novo Código do IRPS poderá representar uma transformação significativa no sistema tributário angolano.

    Entre os possíveis benefícios apontados encontram-se:

    • maior formalização da economia;
    • reforço das receitas públicas;
    • simplificação do enquadramento fiscal;
    • melhoria da justiça tributária.

    Por outro lado, persistem dúvidas quanto ao impacto que as novas taxas poderão ter no rendimento disponível das famílias, especialmente num contexto marcado pelo aumento do custo de vida e pela necessidade de estimular o crescimento económico.

    A eficácia da reforma dependerá, em grande medida, da forma como será aplicada pela Administração Geral Tributária, bem como da capacidade do Estado em assegurar um equilíbrio entre a arrecadação de receitas e a protecção do rendimento dos contribuintes.

    Conclusão

    A aprovação do novo Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares representa uma das mais relevantes alterações fiscais dos últimos anos em Angola. Enquanto o Governo defende que a reforma moderniza o sistema tributário, reforça a justiça fiscal e protege os rendimentos mais baixos, a oposição alerta para possíveis efeitos negativos sobre trabalhadores, pequenos empresários e famílias.

    Com a entrada em vigor do novo regime, milhares de cidadãos passarão a estar abrangidos por novas regras de tributação, tornando essencial que os contribuintes conheçam os seus direitos, deveres e as implicações práticas da nova legislação.

    Leitores perguntam:

    O que é o IRPS em Angola?
    O IRPS (Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares) é o imposto que incide sobre os rendimentos obtidos pelas pessoas singulares, incluindo salários, rendimentos empresariais, profissionais, de capitais, prediais e incrementos patrimoniais.

    Quem fica isento de pagar o IRPS?
    De acordo com o novo Código aprovado pela Assembleia Nacional, os rendimentos do trabalho dependente até 105 mil kwanzas estão isentos do pagamento do imposto.

    Quem aprovou o novo Código do IRPS?
    O diploma foi aprovado pela Assembleia Nacional com votos favoráveis do MPLA, enquanto a UNITA e o PRS votaram contra e houve duas abstenções.

    Quais são os principais rendimentos abrangidos pelo IRPS?
    O imposto abrange rendimentos do trabalho dependente, empresariais e profissionais, de capitais, prediais e incrementos patrimoniais.

    O novo IRPS aplica-se apenas aos cidadãos angolanos?
    Não. A lei aplica-se tanto às pessoas singulares residentes em Angola como aos não residentes que obtenham rendimentos em território angolano.

    Porque é que a UNITA e o PRS votaram contra?
    Os partidos da oposição consideram que algumas taxas são elevadas e defendem que certas disposições da lei podem aumentar a pressão fiscal sobre os cidadãos, além de levantarem dúvidas sobre a sua constitucionalidade.

    Qual é o objectivo da reforma do IRPS?
    Segundo o Governo, a reforma pretende modernizar o sistema tributário, reforçar a justiça fiscal, simplificar a tributação dos rendimentos e promover a formalização da economia.

    Quando entra em vigor o novo Código do IRPS?
    A entrada em vigor dependerá da publicação da lei em Diário da República e da data estabelecida no próprio diploma.

  • Trump e Lobista dos EUA Apoiam Estratégia da UNITA para 2027? O que é facto e o que ainda não foi comprovado

    Trump e Lobista dos EUA Apoiam Estratégia da UNITA para 2027? O que é facto e o que ainda não foi comprovado

    Trump e Lobista dos EUA Apoiam Estratégia da UNITA para 2027? O que é facto e o que ainda não foi comprovado

    As redes sociais transformaram-se num dos principais canais de circulação de informação política em Angola. No entanto, a velocidade com que determinadas alegações se espalham nem sempre é acompanhada pela devida verificação dos factos. Nos últimos dias, uma publicação ganhou destaque ao afirmar que a UNITA teria contratado um lobista norte-americano ligado a sectores conservadores dos Estados Unidos e que essa iniciativa contaria com o apoio do presidente Donald Trump, tendo em vista as eleições gerais angolanas de 2027.

    A alegação gerou reacções imediatas. Enquanto alguns utilizadores interpretaram a informação como prova de uma estratégia internacional cuidadosamente preparada pela oposição angolana, outros questionaram a veracidade dos detalhes apresentados.

    Mas afinal, o que está efectivamente confirmado? O que permanece por demonstrar? E qual é a classificação mais adequada para esta informação?

    A alegação que circula nas redes sociais

    As publicações divulgadas afirmam que a UNITA contratou o consultor e lobista norte-americano Duncan Sellars, através da empresa AO Development Company, para desenvolver uma campanha de influência política em Washington.

    Segundo essas versões, o objectivo passaria por:

    • Reforçar a presença internacional da UNITA;
    • Estabelecer contactos com figuras influentes da política norte-americana;
    • Promover encontros com membros do Congresso dos Estados Unidos;
    • Organizar visitas oficiais de dirigentes do partido aos EUA;
    • Sensibilizar decisores políticos norte-americanos para a situação política angolana;
    • Obter apoio externo para uma eventual alternância política em Angola nas eleições de 2027.

    Algumas publicações foram ainda mais longe, afirmando que Donald Trump apoiaria directamente essa estratégia e que determinadas figuras angolanas actuariam como coordenadores do acordo estabelecido.

    Contudo, quando se analisa a informação disponível, é importante separar aquilo que possui sustentação documental daquilo que continua assente em alegações sem confirmação pública independente.

    O que foi confirmado?

    As verificações efectuadas com base em documentos públicos disponíveis indicam que existem elementos que sustentam a alegada contratação de Duncan Sellars e da sua empresa, AO Development Company.

    Os registos apontam para uma relação contratual destinada à representação de interesses associados ao contexto político angolano junto de instituições e actores relevantes nos Estados Unidos.

    Este tipo de actividade enquadra-se no chamado lobby político internacional, uma prática legal nos Estados Unidos quando devidamente registada nos termos da legislação aplicável.

    Na prática, empresas especializadas em lobby são contratadas para:

    • Facilitar contactos institucionais;
    • Organizar reuniões estratégicas;
    • Promover agendas de interesse dos seus clientes;
    • Melhorar a visibilidade internacional de determinadas causas ou organizações;
    • Estabelecer pontes com decisores políticos e entidades governamentais.

    Desta forma, a existência de indícios documentais relativos à contratação constitui o principal elemento factual confirmado até ao momento.

    O que significa contratar um lobista nos Estados Unidos?

    Em muitos países africanos, incluindo Angola, o conceito de lobby é frequentemente associado a influências obscuras ou práticas pouco transparentes. Contudo, nos Estados Unidos, trata-se de uma actividade regulamentada.

    Empresas de consultoria política e relações governamentais podem representar interesses de governos, partidos políticos, organizações não-governamentais ou empresas privadas, desde que cumpram os requisitos legais de registo e divulgação.

    A contratação de um lobista não representa, por si só, qualquer irregularidade nem constitui prova de apoio político por parte das autoridades norte-americanas.

    Significa apenas que uma entidade pretende apresentar as suas posições, reforçar contactos institucionais ou melhorar a sua capacidade de influência junto de determinados sectores.

    Por isso, a eventual contratação de Duncan Sellars pela UNITA deve ser analisada dentro deste enquadramento legal e político.

    O que ainda não foi comprovado?

    Embora existam elementos que apontam para a existência do acordo com a empresa norte-americana, vários detalhes amplamente divulgados nas redes sociais continuam sem confirmação pública independente.

    Entre os aspectos que permanecem por demonstrar encontram-se os seguintes:

    O valor exacto da remuneração mensal

    Diversas publicações referem que o contrato prevê o pagamento mensal de 8.000 dólares.

    Todavia, até ao momento, não foram encontrados documentos públicos acessíveis que permitam confirmar de forma inequívoca esse valor específico.

    Sem documentação oficial completa ou confirmação por parte das entidades envolvidas, esta informação deve ser encarada com prudência.

    O papel específico de ACJ

    Outra alegação recorrente atribui a ACJ funções de coordenação directa do alegado acordo estabelecido com a empresa norte-americana.

    Contudo, não existem elementos públicos independentes suficientes que permitam confirmar exactamente qual teria sido o seu envolvimento operacional ou institucional no processo.

    A ausência dessa comprovação impede que esta afirmação seja apresentada como facto consumado.

    O alegado apoio de Donald Trump

    Este é, provavelmente, o aspecto mais sensível e também o mais partilhado nas redes sociais.

    Apesar dos títulos que sugerem que Donald Trump apoia a estratégia política da UNITA para 2027, não foram encontradas declarações oficiais do presidente norte-americano confirmando esse apoio.

    Também não existem comunicados públicos emitidos pela Casa Branca ou por estruturas oficiais ligadas à administração norte-americana que validem tal posicionamento.

    É importante distinguir duas realidades diferentes:

    • A contratação de um consultor ou lobista com ligações a sectores conservadores dos Estados Unidos;
    • A existência de um apoio formal, declarado e institucional de Donald Trump à UNITA.

    A primeira possui elementos que a sustentam documentalmente.

    A segunda permanece sem comprovação oficial.

    Porque é importante distinguir factos de interpretações?

    Em períodos marcados por forte polarização política, a tendência para transformar indícios em certezas aumenta significativamente.

    No entanto, o jornalismo responsável exige uma distinção clara entre:

    • Factos confirmados;
    • Alegações não verificadas;
    • Interpretações políticas;
    • Opiniões pessoais.

    Quando esta separação não é feita, o público pode ser levado a acreditar que determinadas conclusões estão definitivamente estabelecidas, quando na realidade ainda existem perguntas sem resposta.

    A verificação rigorosa dos factos não procura favorecer ou prejudicar qualquer força política. O seu objectivo é fornecer aos cidadãos informação precisa para que possam formar as suas próprias opiniões com base em evidências.

    O contexto político angolano rumo a 2027

    As eleições gerais de 2027 já começam a ocupar espaço no debate público angolano, ainda que faltem vários meses para a sua realização.

    A crescente internacionalização das estratégias políticas não constitui uma novidade. Partidos em diferentes partes do mundo recorrem a consultores estrangeiros para reforçar a sua capacidade de comunicação, relações institucionais e posicionamento externo.

    Nesse contexto, qualquer aproximação a estruturas internacionais tende a gerar forte repercussão mediática, sobretudo quando envolve figuras ligadas à política norte-americana.

    Ainda assim, é fundamental evitar extrapolações que não estejam sustentadas por provas concretas.

    Veredicto: afinal, a informação é verdadeira ou falsa?

    Após a análise dos elementos disponíveis, conclui-se que a informação contém aspectos verdadeiros e outros que permanecem sem confirmação pública independente.

    Existem indícios documentais que sustentam a alegada contratação de Duncan Sellars e da AO Development Company para actividades de representação e lobby nos Estados Unidos relacionadas com interesses políticos angolanos.

    Por outro lado, não foi possível confirmar, através de fontes oficiais acessíveis ao público:

    • O valor exacto da alegada remuneração mensal de 8.000 dólares;
    • O papel específico atribuído a ACJ como coordenador directo do acordo;
    • A existência de apoio formal e declarado de Donald Trump à estratégia política da UNITA para as eleições gerais de 2027.

    Classificação final

    Tendo em conta os elementos analisados, a classificação mais adequada para esta alegação é:

    PARCIALMENTE VERDADEIRA.

    Há factos sustentados por documentação pública e há detalhes relevantes que continuam sem comprovação independente.

    Por essa razão, os leitores devem acompanhar eventuais novos documentos, esclarecimentos oficiais e posicionamentos das partes envolvidas, evitando assumir como definitivamente verdadeiras informações que ainda permanecem em aberto.

    Num ambiente digital onde a desinformação circula com facilidade, o pensamento crítico e a verificação dos factos continuam a ser ferramentas indispensáveis para uma cidadania mais informada e consciente.

  • QUANDO LUANDA ARDEU: O TESTEMUNHO DE UM SOBREVIVENTE DOS ACONTECIMENTOS DE 1992

    QUANDO LUANDA ARDEU: O TESTEMUNHO DE UM SOBREVIVENTE DOS ACONTECIMENTOS DE 1992

    QUANDO LUANDA ARDEU: O TESTEMUNHO DE UM SOBREVIVENTE DOS ACONTECIMENTOS DE 1992

    Memórias de Guerra, Sobrevivência e os Dias que Marcaram a História de Angola

    Por João Bartolomeu Callawey
    Investigador independente da cultura linguística angolana e comunicação digital.
    Wikipedia|✍️ Artigo original para publicação digital
    © Todos os direitos reservados

    Introdução

    A história contemporânea de Angola está repleta de momentos que continuam a despertar reflexões profundas sobre o passado, o presente e o futuro da Nação. Entre esses acontecimentos encontram-se os episódios dramáticos que sucederam após as eleições gerais de 1992, um período que permanece gravado na memória colectiva de milhares de angolanos.

    O testemunho do coronel na reforma Félix Miranda constitui uma das narrativas mais detalhadas sobre aqueles dias turbulentos. Trata-se de um relato marcado pela experiência directa, pela dor da guerra, pela sobrevivência e pelas consequências humanas de um dos momentos mais sensíveis da trajectória política angolana.

    Este texto procura contextualizar e desenvolver os acontecimentos relatados por Félix Miranda, preservando integralmente o conteúdo essencial do testemunho original e enquadrando-o numa análise histórica mais ampla, permitindo ao leitor compreender a dimensão humana daqueles acontecimentos.

    Um Homem Moldado Pela Guerra

    Antes dos acontecimentos de Luanda em 1992, Félix Miranda já possuía uma longa experiência ligada ao conflito armado angolano.

    Segundo o próprio relato, a sua vida esteve marcada por inúmeras operações militares, deslocações em zonas de combate e situações extremas que colocaram a sua sobrevivência em risco diversas vezes.

    Uma das experiências mais marcantes ocorreu em 1978, durante uma ofensiva militar nas matas do Cunene. Na altura, ainda em formação na área das telecomunicações, perdeu-se durante três dias e três noites em regiões remotas como Chimporo, Palmeirinhas e Camue-Camue.

    Nesse período enfrentou fome, sede, medo constante e o perigo representado pela movimentação de tanques, viaturas militares, helicópteros e aviões de combate.

    O próprio descreve aqueles dias como uma convivência simultânea com a natureza selvagem e com os horrores da guerra, sobrevivendo entre leões, elefantes e outros animais, enquanto procurava alimento em frutos silvestres.

    O Processo de Paz e a Chegada a Luanda

    Com a assinatura dos Acordos de Bicesse, em 31 de Maio de 1991, abriu-se uma nova esperança para Angola.

    Foi neste contexto que Félix Miranda integrou a primeira delegação da Comissão Conjunta Política e Militar (CCPM), representando a UNITA em Luanda.

    A delegação era liderada por Salupeto Pena e incluía nomes como Abel Chivukuvuku, Eliseu Chimbili e outros representantes políticos e militares.

    Ao recordar a partida da Jamba, Félix Miranda afirma que Jonas Savimbi manifestou reservas quanto à confiança depositada no processo político.

    Segundo o testemunho, Savimbi advertiu os membros da delegação de que, uma vez instalados em Luanda, qualquer cenário poderia acontecer, incluindo a possibilidade de serem transformados em mártires.

    Anos depois, Félix Miranda consideraria aquelas palavras uma previsão dos acontecimentos que viriam a seguir.

    O Papel da Rádio VORGAN em Luanda

    Enquanto desempenhava funções de adido de imprensa, Félix Miranda assumiu igualmente responsabilidades ligadas à comunicação social.

    Foi um dos principais impulsionadores da Rádio FM VORGAN Luanda, projecto que procurava assegurar a presença mediática da organização no período de transição política.

    O trabalho exigia dedicação permanente.

    Segundo descreve, trabalhava dia e noite, formando colaboradores e organizando a estrutura de funcionamento da emissora.

    A rádio viria a assumir um papel central durante os meses que antecederam a crise pós-eleitoral.

    As Eleições de 1992 e o Crescimento da Tensão Política

    As eleições de Setembro de 1992 representaram um momento histórico para Angola.

    Contudo, rapidamente surgiram contestações relacionadas com o processo eleitoral.

    Félix Miranda recorda ter participado em diversas reuniões realizadas no Centro de Imprensa e em instituições governamentais, numa tentativa de evitar o agravamento da crise.

    As negociações procuravam impedir o colapso do processo de paz e evitar confrontos armados.

    Segundo o testemunho, existia uma crescente percepção de que a situação estava a deteriorar-se rapidamente.

    A tensão política aumentava a cada dia, enquanto diminuíam as possibilidades de entendimento entre as partes.

    As Declarações de Onofre dos Santos

    Um dos momentos que Félix Miranda destaca foi a entrevista realizada com Onofre dos Santos, então presidente da Comissão Nacional Eleitoral.

    Segundo relata, Onofre dos Santos manifestou preocupações sobre alegadas irregularidades verificadas durante o processo eleitoral.

    Pouco tempo depois da entrevista, o dirigente deixou Angola rumo a Portugal.

    Este episódio é frequentemente citado por analistas quando se analisam os acontecimentos que antecederam a ruptura do processo eleitoral de 1992.

    A Validação dos Resultados e a Escalada da Crise

    Em Outubro de 1992, a representante das Nações Unidas, Margaret Anstee, anunciou a validação dos resultados da primeira volta das eleições.

    A decisão gerou interpretações divergentes.

    Enquanto alguns consideravam que o processo deveria avançar para uma segunda volta, outros entendiam que persistiam questões por esclarecer.

    O ambiente político tornou-se cada vez mais tenso.

    A confiança entre as partes diminuía e os sinais de ruptura multiplicavam-se.

    A Última Mensagem de Savimbi em Luanda

    Um dos episódios mais marcantes narrados por Félix Miranda refere-se à gravação da última mensagem pública de Jonas Savimbi antes da sua saída de Luanda.

    A gravação ocorreu durante a noite, num ambiente de crescente preocupação.

    Segundo o testemunho, Savimbi apelava à calma e à coragem dos cidadãos, transmitindo uma mensagem de serenidade perante a instabilidade que se aproximava.

    Nos bastidores, porém, demonstrava grande preocupação relativamente à evolução dos acontecimentos.

    Pouco tempo depois abandonaria Luanda de forma discreta.

    Quando Luanda Se Transformou Num Campo de Batalha

    Entre 31 de Outubro e os primeiros dias de Novembro de 1992, a capital angolana mergulhou num dos períodos mais violentos da sua história recente.

    As ruas encheram-se de confrontos armados.

    Edifícios foram atacados.

    Centenas de pessoas procuravam desesperadamente locais seguros.

    Segundo o relato de Félix Miranda, instalações associadas à oposição passaram a ser alvo de ataques sistemáticos.

    A cidade transformou-se num cenário de medo, incerteza e destruição.

    A Fuga Pela Cidade Sob Chuva de Balas

    Uma das partes mais dramáticas do testemunho descreve a fuga de um grupo de dirigentes e colaboradores através de vários bairros de Luanda.

    As tentativas de abandonar a cidade foram dificultadas por cercos militares, emboscadas e intenso fogo cruzado.

    O grupo deslocava-se a pé durante a noite, procurando rotas alternativas para escapar aos confrontos.

    Em vários momentos acreditaram que a morte era inevitável.

    Atravessaram zonas como Maianga, Cazenga e outras áreas onde os combates eram particularmente intensos.

    A Separação de Mango Alicerces

    Durante a retirada, Félix Miranda relata o momento em que Mango Alicerces, devido a dificuldades físicas, ficou impossibilitado de acompanhar o ritmo da fuga.

    Foi então tomada a decisão de o encaminhar de volta para uma zona considerada mais segura.

    Segundo o testemunho, essa foi a última vez que o viu com vida.

    O episódio permanece entre as recordações mais dolorosas daqueles dias.

    O Cerco de Viana e a Marcha Pela Sobrevivência

    Após várias tentativas frustradas de fuga, o grupo conseguiu seguir em direcção a Viana.

    Mesmo assim continuaram sob perseguição e enfrentaram inúmeros obstáculos.

    A travessia de matas, rios e zonas rurais transformou-se numa verdadeira prova de resistência.

    Fome, sede, cansaço extremo e ataques constantes faziam parte da realidade diária.

    Muitos ficaram pelo caminho.

    Outros conseguiram prosseguir graças à solidariedade dos companheiros e à determinação de sobreviver.

    Caxito: O Reencontro Com a Esperança

    A chegada a Caxito representou um momento decisivo.

    Ali encontraram apoio e assistência após dias de fuga.

    Foi também nesse local que Félix Miranda recebeu notícias sobre o destino de várias figuras políticas e militares envolvidas nos acontecimentos.

    Ao mesmo tempo, tornou-se necessário restaurar as comunicações e transmitir mensagens que permitissem esclarecer a situação junto dos apoiantes e da população.

    A Estratégia de Comunicação Que Confundiu os Adversários

    Um episódio curioso do testemunho refere-se à emissão radiofónica realizada após a chegada a Caxito.

    Consciente dos riscos, Félix Miranda optou por indicar uma localização diferente daquela onde realmente se encontrava.

    Ao afirmar que transmitia a partir do Cabo Ledo, procurou evitar que as forças adversárias identificassem a posição real do grupo.

    Segundo o relato, esta decisão contribuiu para garantir algum tempo de segurança e reorganização.

    O Fim da FM VORGAN Luanda

    A destruição das instalações da rádio marcou simbolicamente o fim de uma etapa.

    Os bombardeamentos e os danos acumulados tornaram impossível a continuação das emissões.

    Para Félix Miranda, aquele momento representou não apenas a perda de uma estrutura de comunicação, mas também o encerramento de um capítulo importante da sua vida.

    Memória, História e Reconciliação

    Os acontecimentos de 1992 continuam a gerar debates entre historiadores, investigadores e sobreviventes.

    Cada testemunho acrescenta novos elementos à compreensão de um período complexo da história nacional.

    Independentemente das interpretações políticas, as experiências humanas relatadas por sobreviventes como Félix Miranda recordam-nos o elevado custo dos conflitos armados.

    São histórias de sofrimento, coragem, perdas irreparáveis e resistência.

    O Legado de Félix Miranda

    Meses após responder a comentários relacionados com estas memórias, Félix Miranda viria a falecer em Outubro de 2022, numa clínica de Luanda, vítima de doença.

    Contudo, os seus relatos permanecem como documentos de memória histórica.

    Concorde-se ou não com todas as interpretações apresentadas, o testemunho constitui uma importante fonte para compreender as vivências de quem esteve directamente envolvido nos acontecimentos que marcaram Angola nos anos 90.

    Conclusão

    A história de Angola é feita de múltiplas narrativas, diferentes perspectivas e experiências pessoais profundamente marcantes.

    O testemunho de Félix Miranda representa uma dessas vozes que sobreviveram aos acontecimentos e decidiram partilhar aquilo que viveram.

    Mais do que um relato de guerra, trata-se de uma reflexão sobre sobrevivência, memória e responsabilidade histórica.

    Ao recordar esses acontecimentos, reforça-se a importância da paz, da reconciliação nacional e da preservação da memória colectiva, para que as gerações futuras compreendam o valor da estabilidade e da convivência pacífica.

    Fontes referenciadas no testemunho original:

    • Site Club-K
    • Entrevista de Félix Miranda na Mwangolé TV

    Nota editorial: Este artigo baseia-se no testemunho público atribuído a Félix Miranda e procura contextualizar historicamente os acontecimentos narrados, preservando o conteúdo essencial do relato original.

  • CASO 2027: UNITA RECORRE A LOBISTAS DOS ESTADOS UNIDOS PARA REFORÇAR CONTACTOS EM WASHINGTON

    CASO 2027: UNITA RECORRE A LOBISTAS DOS ESTADOS UNIDOS PARA REFORÇAR CONTACTOS EM WASHINGTON

    CASO 2027: UNITA RECORRE A LOBISTAS DOS ESTADOS UNIDOS PARA REFORÇAR CONTACTOS EM WASHINGTON

    A crescente disputa pela influência internacional no contexto político angolano

    A dinâmica política angolana continua a ganhar novas dimensões à medida que se aproxima o ciclo eleitoral previsto para 2027. Entre estratégias de posicionamento interno e iniciativas de projecção externa, os principais actores políticos procuram consolidar a sua presença junto de parceiros internacionais considerados estratégicos.

    Neste contexto, a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) deu mais um passo na sua estratégia de internacionalização política ao contratar uma consultora norte-americana com o objectivo de facilitar contactos junto do Congresso dos Estados Unidos da América, da Administração norte-americana e de diversos centros de pensamento estratégico, vulgarmente conhecidos como think tanks.

    A iniciativa evidencia a importância crescente que os mecanismos de influência política, diplomática e institucional assumem actualmente em Washington, considerada uma das capitais mais influentes do mundo em matéria de decisões geopolíticas e económicas.

    A contratação de uma consultora norte-americana

    Segundo informações tornadas públicas, a UNITA decidiu recorrer aos serviços de uma empresa especializada em consultoria e relações institucionais nos Estados Unidos para fortalecer a sua capacidade de comunicação com actores relevantes do sistema político norte-americano.

    O objectivo principal passa por criar pontes de diálogo, facilitar reuniões e promover uma maior compreensão das posições políticas do partido junto de decisores influentes da administração norte-americana, parlamentares e organizações dedicadas à análise de assuntos internacionais.

    A contratação de firmas especializadas neste tipo de actividade não constitui uma novidade no cenário político internacional. Em Washington, milhares de organizações, empresas, governos e instituições recorrem regularmente a consultoras especializadas para representar interesses específicos junto dos órgãos de decisão.

    O exemplo do Estado angolano

    A decisão da UNITA surge numa altura em que o próprio Estado angolano tem vindo a reforçar significativamente a sua presença nos círculos de influência dos Estados Unidos.

    Nos últimos anos, Angola celebrou diversos contratos de lobby, comunicação estratégica e assessoria institucional com empresas especializadas em relações governamentais norte-americanas.

    Em 2025, por exemplo, foi amplamente divulgado um contrato avaliado em cerca de 2 milhões de dólares com a empresa norte-americana BGR Group, uma das firmas mais conhecidas no sector das relações governamentais em Washington.

    Além deste acordo, diversos relatórios internacionais apontam que o Governo angolano continuou a investir recursos significativos em empresas especializadas na promoção de relações diplomáticas, cooperação económica e captação de investimento estrangeiro.

    Estes contratos têm como finalidade reforçar a imagem de Angola no exterior, ampliar oportunidades de investimento e facilitar o diálogo com instituições governamentais e empresariais norte-americanas.

    O que são empresas de lobby e qual é o seu papel?

    O termo “lobby” é frequentemente associado à representação de interesses junto de decisores políticos. Nos Estados Unidos, esta actividade encontra-se regulamentada e sujeita a mecanismos de transparência que obrigam ao registo público de contratos e actividades desenvolvidas.

    As empresas de lobby actuam como intermediárias entre os seus clientes e os centros de decisão política, procurando facilitar contactos, promover reuniões e transmitir informações relevantes sobre determinados temas.

    Governos, empresas multinacionais, associações empresariais, organizações sem fins lucrativos e partidos políticos recorrem frequentemente a estes serviços para aumentar a sua capacidade de influência e visibilidade junto das instituições norte-americanas.

    Por essa razão, a contratação de consultoras especializadas por actores políticos angolanos enquadra-se numa prática amplamente utilizada em vários países do mundo.

    Uma prática que ultrapassa o Executivo

    Os registos públicos disponíveis nos Estados Unidos demonstram que o recurso a firmas de lobby não é uma exclusividade do Executivo angolano.

    Diversos empresários, figuras públicas, instituições e organizações ligadas a Angola recorreram, ao longo dos anos, a mecanismos semelhantes para defender interesses económicos, empresariais ou políticos junto das autoridades norte-americanas.

    Esta realidade revela uma tendência global segundo a qual a influência internacional deixou de ser uma competência exclusiva dos governos, passando igualmente a fazer parte das estratégias de organizações privadas, partidos políticos e entidades da sociedade civil.

    Angola e Estados Unidos: uma relação cada vez mais estratégica

    Analistas internacionais consideram que o aumento destas iniciativas reflecte a crescente importância das relações entre Angola e os Estados Unidos.

    Nos últimos anos, a cooperação bilateral ganhou novo impulso em áreas consideradas estratégicas para ambas as partes.

    Entre os principais temas destacam-se:

    • Investimento estrangeiro directo;
    • Segurança regional;
    • Desenvolvimento económico;
    • Infra-estruturas;
    • Energia;
    • Minerais estratégicos;
    • Corredor do Lobito;
    • Cooperação tecnológica;
    • Estabilidade regional em África.

    A importância geopolítica de Angola tem aumentado devido à sua localização estratégica e ao seu potencial em recursos naturais considerados fundamentais para as cadeias globais de produção tecnológica e energética.

    O impacto político da aproximação a Washington

    A presença de representantes angolanos em Washington pode contribuir para uma melhor compreensão da realidade política nacional por parte dos decisores norte-americanos.

    Ao mesmo tempo, permite aos actores políticos angolanos acompanhar mais de perto tendências internacionais, prioridades da política externa norte-americana e oportunidades de cooperação futura.

    No caso específico da UNITA, a contratação da consultora poderá ser interpretada como uma tentativa de ampliar a sua visibilidade internacional e fortalecer canais de comunicação com instituições influentes dos Estados Unidos.

    A iniciativa ocorre num momento em que os debates sobre governação, democracia, investimento e desenvolvimento económico assumem relevância crescente no contexto político angolano.

    As eleições de 2027 no horizonte

    Com as eleições gerais de 2027 a aproximarem-se gradualmente, é expectável que os diferentes actores políticos procurem reforçar tanto a sua presença interna como a sua projecção internacional.

    A diplomacia partidária, a comunicação estratégica e a construção de relações institucionais internacionais poderão desempenhar um papel cada vez mais relevante nos próximos anos.

    Embora o impacto concreto destas iniciativas só possa ser avaliado a médio prazo, a verdade é que a competição política contemporânea já não se limita às fronteiras nacionais. A capacidade de estabelecer relações internacionais sólidas tornou-se um elemento adicional de influência e afirmação política.

    Considerações finais

    O recurso da UNITA a uma consultora norte-americana especializada em relações institucionais representa mais um capítulo da crescente profissionalização das estratégias políticas ligadas à comunicação internacional e à diplomacia de influência.

    Por outro lado, a iniciativa surge num contexto em que o próprio Estado angolano tem investido significativamente em mecanismos semelhantes para reforçar a sua posição junto dos centros de decisão norte-americanos.

    Independentemente das leituras partidárias que possam ser feitas sobre o assunto, o episódio demonstra que as relações entre Angola e os Estados Unidos continuam a ganhar relevância estratégica, tanto para o Governo como para os diferentes actores políticos nacionais.

    À medida que se aproxima o processo eleitoral de 2027, será interessante observar de que forma estas iniciativas internacionais poderão influenciar a percepção externa sobre Angola e contribuir para a construção de novas oportunidades de diálogo político, económico e institucional.

    Fonte original de referência: Valor Económico.


    Por João Bartolomeu Callawey
    Investigador independente da cultura linguística angolana e comunicação digital.

    Artigo original para publicação digital.
    © Todos os direitos reservados.

  • ANGOLA: LÍDERES DO MPLA IRÃO ABANDONAR O PAÍS CASO HAJA TRANSIÇÃO POLÍTICA EM 2027?

    ANGOLA: LÍDERES DO MPLA IRÃO ABANDONAR O PAÍS CASO HAJA TRANSIÇÃO POLÍTICA EM 2027?

    ANGOLA: LÍDERES DO MPLA IRÃO ABANDONAR O PAÍS CASO HAJA TRANSIÇÃO POLÍTICA EM 2027?

    Declarações polémicas reacendem debate sobre o futuro político de Angola

    Uma declaração atribuída ao militante do MPLA em Cabinda, José Pedro Kanhâla, está a gerar debate e controvérsia nos meios políticos e nas redes sociais angolanas. As afirmações surgem num momento em que o país começa a discutir, com maior intensidade, os possíveis cenários eleitorais para 2027 e as consequências de uma eventual alternância política após décadas de governação do mesmo partido.

    Segundo as declarações divulgadas, existe a convicção de que alguns dirigentes e figuras ligadas ao poder poderão estar a preparar-se para abandonar Angola caso ocorra uma mudança política significativa no país. A alegação levanta questões sobre a confiança dos próprios dirigentes no futuro político do partido e sobre a forma como encaram a possibilidade de uma transição democrática.

    Acusações de receio perante uma eventual mudança de poder

    De acordo com a informação divulgada a partir de Cabinda, alguns líderes do MPLA estariam preocupados com a possibilidade de terem de responder perante a justiça caso um novo governo assuma o poder após as eleições gerais de 2027.

    Nas declarações atribuídas a José Pedro Kanhâla, é defendida a ideia de que quem exerceu funções públicas de forma transparente não deveria temer uma mudança governativa. O militante argumenta que aqueles que eventualmente pretendam abandonar o país poderão fazê-lo por recearem investigações relacionadas com alegados actos de corrupção, peculato ou má gestão dos recursos públicos.

    A posição apresentada reflecte uma visão crítica sobre determinados sectores da elite política angolana e alimenta um debate que tem sido recorrente na sociedade civil relativamente à responsabilização dos titulares de cargos públicos.

    O desafio da credibilidade política

    A credibilidade das instituições e dos partidos políticos continua a ser um dos temas centrais da política angolana. Após mais de cinco décadas de governação do MPLA, vários sectores da sociedade defendem que a consolidação da democracia passa pela existência de mecanismos eficazes de fiscalização e prestação de contas.

    Para muitos observadores, independentemente do partido que governe o país, é fundamental que qualquer responsável político responda pelos seus actos perante as instituições competentes. A maturidade democrática de uma nação mede-se também pela capacidade de garantir que a justiça funciona de forma independente e imparcial.

    Neste contexto, as declarações provenientes de Cabinda acabam por alimentar reflexões sobre a necessidade de fortalecer o Estado de Direito e aumentar a confiança dos cidadãos nas instituições públicas.

    A possibilidade de uma transição política em Angola

    As eleições de 2027 são vistas por muitos analistas como um momento importante para o futuro político de Angola. Embora ainda faltem vários meses para o processo eleitoral, começam já a surgir debates sobre os diferentes cenários possíveis.

    Uma eventual vitória da oposição representaria uma mudança histórica no panorama político nacional. Por outro lado, uma nova vitória do MPLA significaria a continuidade do partido que governa Angola desde a independência, em 1975.

    Independentemente do resultado, especialistas em ciência política defendem que uma democracia saudável deve permitir alternâncias de poder pacíficas, respeitando sempre a vontade expressa pelos cidadãos nas urnas.

    O papel dos dirigentes perante as futuras gerações

    Nas declarações atribuídas ao militante José Pedro Kanhâla, é igualmente defendida a ideia de que os líderes políticos devem servir de exemplo para as gerações futuras.

    A responsabilidade de quem exerce cargos públicos vai além da gestão do presente. As decisões tomadas pelos governantes influenciam directamente o desenvolvimento económico, social e institucional do país durante décadas.

    Por essa razão, muitos cidadãos consideram que a transparência, a ética e a prestação de contas devem constituir pilares fundamentais da actividade política, independentemente da filiação partidária dos governantes.

    Oposição e cultura democrática

    Outro aspecto destacado nas declarações refere-se ao comportamento histórico dos partidos da oposição. Segundo a opinião expressa por José Pedro Kanhâla, as forças opositoras enfrentaram diversas derrotas eleitorais ao longo dos anos sem abandonarem o país, continuando a participar no processo democrático.

    Este argumento é utilizado para defender que todos os actores políticos devem demonstrar maturidade institucional, aceitando os resultados eleitorais e contribuindo para a estabilidade nacional, independentemente de estarem no governo ou na oposição.

    Reflexão sobre o futuro de Angola

    As declarações agora divulgadas devem ser analisadas no contexto do debate político nacional e representam opiniões atribuídas ao seu autor. Até ao momento, não existem provas públicas que confirmem a alegada intenção de dirigentes do MPLA abandonarem o país em caso de transição política.

    Ainda assim, o tema levanta questões importantes sobre confiança nas instituições, responsabilização dos agentes públicos, alternância democrática e consolidação do Estado de Direito em Angola.

    À medida que o país se aproxima das eleições de 2027, é expectável que estas discussões ganhem maior relevância, contribuindo para um debate mais amplo sobre o futuro político da nação e o papel dos seus líderes perante os desafios do desenvolvimento e da democracia.

    Por João Bartolomeu Callawey
    Investigador independente da cultura linguística angolana e comunicação digital.

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  • SUCESSÃO DE JOÃO LOURENÇO EXPÕE DIVISÕES NO MPLA E LEVANTA DÚVIDAS SOBRE AS ELEIÇÕES DE 2027

    SUCESSÃO DE JOÃO LOURENÇO EXPÕE DIVISÕES NO MPLA E LEVANTA DÚVIDAS SOBRE AS ELEIÇÕES DE 2027

    SUCESSÃO DE JOÃO LOURENÇO EXPÕE DIVISÕES NO MPLA E LEVANTA DÚVIDAS SOBRE AS ELEIÇÕES DE 2027

    O desafio da transição política em Angola

    A aproximação do fim do segundo e último mandato constitucional do Presidente João Lourenço está a abrir um dos debates políticos mais importantes da atualidade angolana: a sucessão presidencial no seio do MPLA. Mais do que uma simples substituição de liderança, trata-se de um processo que poderá influenciar profundamente o futuro político do país, a estabilidade das instituições e a confiança dos cidadãos no sistema democrático.

    As discussões em torno da escolha do próximo candidato presidencial do MPLA têm vindo a ganhar intensidade, alimentando especulações, disputas internas e diferentes interpretações sobre o rumo que o partido pretende seguir após quase cinco décadas de governação ininterrupta.

    Segundo o investigador Rui Verde, o modo como esta sucessão está a ser conduzida poderá não apenas aprofundar divisões internas no partido governante, mas também gerar consequências significativas para as eleições gerais previstas para 2027.

    Rui Verde alerta para falta de transparência no processo sucessório

    Em declarações à agência Lusa, por ocasião do lançamento do livro Breve História de Angola desde a Independência (1975-2025), marcado para o dia 5 de Junho, em Lisboa, Rui Verde manifestou preocupação com a forma como o processo de sucessão está a decorrer.

    Para o investigador, associado ao Centro de Estudos Africanos da Universidade de Oxford e ao Centro de População e Desenvolvimento da Universidade Paris-Cité, a ausência de um processo transparente e claramente definido está a alimentar um clima de especulação política.

    “A incerteza está a dividir as elites do MPLA e, por ligação direta, vai dividir as bases”, afirmou.

    A observação sugere que a disputa pelo futuro da liderança não se limita aos círculos dirigentes do partido, podendo igualmente repercutir-se nas estruturas provinciais, municipais e nas bases militantes.

    ler também: Angola redefine a sua política externa e reduz dependências

    A sucessão como teste à unidade do MPLA

    Desde a independência nacional, o MPLA tem demonstrado uma notável capacidade de adaptação política. Contudo, os processos de sucessão presidencial têm historicamente representado momentos de elevada tensão interna.

    A transição entre José Eduardo dos Santos e João Lourenço, em 2017, revelou que mesmo dentro de um partido fortemente estruturado podem surgir disputas de influência e diferentes visões sobre o futuro.

    Agora, perante a necessidade de identificar uma nova liderança, o MPLA enfrenta um teste à sua capacidade de preservar a coesão interna.

    Especialistas observam que quanto maior for a indefinição sobre o sucessor, maior será o espaço para disputas de bastidores, alianças estratégicas e movimentos políticos destinados a posicionar diferentes figuras para a corrida presidencial.

    O risco de uma vitória sem legitimidade política

    Uma das advertências mais fortes feitas por Rui Verde refere-se à possibilidade de uma vitória eleitoral formalmente alcançada, mas politicamente fragilizada.

    Segundo o investigador, mesmo que João Lourenço consiga manter a liderança partidária no congresso previsto para Dezembro e o candidato por si apoiado vença as eleições de 2027, isso não significa necessariamente uma vitória robusta do ponto de vista político.

    “Pode ser uma vitória de Pirro, vazia, sem apoio”, advertiu.

    A expressão remete para situações em que uma vitória é alcançada a um custo tão elevado que acaba por comprometer os benefícios esperados. No contexto político, traduz-se numa liderança eleita, mas sem uma base sólida de apoio social e político.

    A crise sucessória e as fragilidades estruturais do sistema

    No seu livro, Rui Verde identifica uma crise interna de sucessão presidencial dentro do MPLA, associada à inexistência de mecanismos suficientemente transparentes para a escolha do futuro candidato presidencial.

    Esta análise leva a uma reflexão mais ampla sobre o funcionamento do sistema político angolano e sobre a forma como as instituições respondem aos momentos de mudança.

    A escolha de um líder político não representa apenas uma decisão partidária. Num sistema onde o partido vencedor das eleições legislativas determina automaticamente quem será Presidente da República, a definição do candidato presidencial assume uma importância nacional.

    Por essa razão, qualquer processo marcado pela opacidade tende a gerar preocupações tanto dentro como fora das estruturas partidárias.

    O legado constitucional de 2010

    Para compreender a situação atual, Rui Verde recua às transformações constitucionais ocorridas após o período de guerra civil.

    As eleições de 1992 marcaram um momento decisivo da história contemporânea angolana. Contudo, as controvérsias em torno dos seus resultados e o regresso ao conflito armado conduziram, anos depois, à adoção de um novo modelo constitucional.

    A Constituição de 2010 eliminou a eleição direta do Presidente da República e estabeleceu que o chefe de Estado passa a ser automaticamente o cabeça de lista do partido mais votado nas eleições legislativas.

    Segundo Rui Verde, essa alteração consolidou uma forte concentração de poderes.

    “A partir daí dá-se uma fusão completa dos poderes do Estado”, sustenta.

    Na sua perspetiva, o modelo criou um presidencialismo altamente concentrado, com mecanismos limitados de fiscalização política.

    “As eleições passaram a ser um plebiscito presidencial em 2010 e ainda o são hoje”, acrescentou.

    João Lourenço e as promessas de mudança

    Quando chegou ao poder em 2017, João Lourenço foi apresentado como uma figura de compromisso dentro do MPLA.

    Na altura, muitos observadores acreditavam que José Eduardo dos Santos continuaria a exercer influência significativa sobre os destinos políticos do país através da manutenção da liderança partidária.

    No entanto, João Lourenço rapidamente procurou afirmar autonomia política.

    A sua agenda inicial foi marcada pelo combate à corrupção, pela recuperação de ativos, pela promessa de modernização económica e pela intenção declarada de reformar diversos setores do Estado.

    “Enviou uma mensagem clara de querer mudar”, recorda Rui Verde.

    Durante os primeiros anos do seu mandato, essas iniciativas geraram expectativas positivas tanto dentro de Angola como junto de parceiros internacionais.

    Reformas interrompidas e expectativas frustradas

    Apesar dos avanços reconhecidos em determinados domínios, como a ampliação do espaço cívico e uma maior abertura mediática relativamente ao passado, Rui Verde considera que o impulso reformista perdeu intensidade.

    “O que parece é que ficou a meio da ponte”, afirmou.

    Esta avaliação reflete uma perceção partilhada por vários setores da sociedade, segundo a qual algumas das transformações prometidas acabaram por não produzir os resultados esperados ou ficaram aquém das expectativas inicialmente criadas.

    A análise do impacto real dessas reformas continuará a ser objeto de debate académico e político nos próximos anos.

    O desgaste do MPLA após cinco décadas no poder

    O MPLA enfrenta atualmente desafios que vão além da questão sucessória.

    Após cinquenta anos de governação, o partido confronta-se com fenómenos comuns a muitas formações políticas que permanecem longos períodos no poder: desgaste institucional, aumento das expectativas sociais e crescente exigência por parte do eleitorado.

    A crise económica iniciada em 2014, associada à queda das receitas petrolíferas, produziu efeitos profundos na vida dos cidadãos, contribuindo para um ambiente de insatisfação social que continua a influenciar o debate político nacional.

    Neste contexto, a capacidade do partido para renovar a sua imagem e apresentar respostas convincentes às preocupações dos eleitores será determinante para o seu desempenho em 2027.

    A transformação da UNITA e o fortalecimento da oposição

    Paralelamente ao desgaste do partido governante, a oposição tem procurado reforçar a sua presença política.

    Rui Verde considera que a UNITA atravessou uma profunda transformação ao longo das últimas duas décadas.

    “Esta UNITA não é a velha UNITA”, defendeu.

    Segundo a sua análise, o partido tornou-se mais urbano, mais inclusivo e melhor estruturado, procurando afirmar-se como uma alternativa governativa credível.

    A liderança de Adalberto Costa Júnior é igualmente apontada como um elemento importante nesse processo de reposicionamento político.

    “É hoje um partido popular. Se mais que o MPLA, veremos”, observou.

    A crescente competitividade eleitoral poderá contribuir para tornar as eleições de 2027 uma das disputas mais relevantes da história política recente de Angola.

    Transparência eleitoral será decisiva

    Independentemente de quem venha a vencer o próximo processo eleitoral, especialistas consideram que a questão fundamental será a credibilidade dos resultados.

    Rui Verde sublinha que, num contexto político cada vez mais competitivo, não bastará proclamar uma vitória eleitoral.

    “Se não ganhar, não basta ao MPLA vencer, tem que convencer que a vitória é limpa”, afirmou.

    A legitimidade democrática depende não apenas dos números finais anunciados, mas também da confiança pública nas instituições responsáveis pela organização, fiscalização e validação do processo eleitoral.

    O risco de contestação pós-eleitoral

    A experiência recente de vários países africanos demonstra que processos eleitorais marcados por suspeitas ou falta de confiança podem gerar períodos de elevada tensão política.

    Por essa razão, Rui Verde alerta para a necessidade de reforçar a transparência e a credibilidade das eleições.

    “A sociedade civil e as pessoas estão muito à flor da pele”, advertiu.

    O fortalecimento das instituições eleitorais, a fiscalização independente e a divulgação clara dos resultados poderão desempenhar um papel decisivo na preservação da estabilidade política.

    Quem poderá suceder a João Lourenço?

    A grande pergunta continua sem resposta.

    Quem será o próximo candidato presidencial do MPLA?

    As especulações multiplicam-se nos círculos políticos e mediáticos. Alguns cenários apontam para uma figura com experiência governativa. Outros sugerem a possibilidade inédita de uma mulher liderar a candidatura presidencial do partido. Há ainda quem defenda uma personalidade ligada às estruturas militares como forma de garantir equilíbrio interno.

    Contudo, Rui Verde rejeita qualquer tentativa de previsão.

    “É puro vudu. Não faço a mínima ideia. Não há uma pessoa que se destaque”, concluiu.

    A ausência de um nome consensual reforça precisamente o ambiente de incerteza que caracteriza atualmente o debate político angolano.

    Conclusão

    À medida que Angola se aproxima das eleições gerais de 2027, a sucessão de João Lourenço assume-se como um dos temas centrais da agenda nacional.

    O processo não representa apenas uma mudança de liderança dentro do MPLA. Constitui igualmente um teste à maturidade das instituições, à capacidade de renovação política e à confiança dos cidadãos no sistema democrático.

    Num contexto marcado por expectativas elevadas, desafios económicos persistentes e uma oposição cada vez mais organizada, a forma como a sucessão for conduzida poderá influenciar significativamente o futuro político de Angola nos próximos anos.


    Por João Bartolomeu Callawey
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  • CASO CAIXA TÉRMICA: SECRETÁRIO PROVINCIAL DA UNITA EM LUANDA DECLARA QUE OS SEUS ADVIGADOS ESTÃO À ESPERA DA NOTIFICAÇÃO

    CASO CAIXA TÉRMICA: SECRETÁRIO PROVINCIAL DA UNITA EM LUANDA DECLARA QUE OS SEUS ADVIGADOS ESTÃO À ESPERA DA NOTIFICAÇÃO


    CASO CAIXA TÉRMICA: SECRETÁRIO PROVINCIAL DA UNITA EM LUANDA DECLARA QUE OS SEUS ADVIGADOS ESTÃO À ESPERA DA NOTIFICAÇÃO
    O Caso Continua a Gerar Debate Público
    O denominado “Caso Caixa Térmica” continua a suscitar fortes reações no espaço político e jurídico angolano. A situação, que tem alimentado debates entre militantes partidários, juristas, analistas políticos e cidadãos comuns, ganhou um novo desenvolvimento após declarações do Secretário Provincial da UNITA em Luanda, que afirmou que os seus advogados permanecem à espera de uma notificação formal das autoridades competentes.
    A declaração surge numa fase em que o caso continua envolto em questionamentos sobre os procedimentos adotados, a tramitação processual e os seus possíveis impactos no panorama político nacional.
    A Expectativa em Torno da Notificação
    Segundo as declarações tornadas públicas, a equipa jurídica que acompanha o processo ainda não recebeu qualquer notificação oficial que permita conhecer detalhadamente os elementos constantes do processo ou avançar para os mecanismos de defesa previstos na lei.
    A expectativa dos advogados centra-se precisamente no respeito pelos procedimentos legais, uma vez que a notificação formal constitui uma etapa fundamental para garantir o exercício do contraditório e dos direitos de defesa.
    Sem esse documento, argumentam vários especialistas em Direito, torna-se difícil responder formalmente às acusações ou alegações que possam estar associadas ao caso.
    A Importância do Direito de Defesa
    Em qualquer Estado democrático e de direito, o princípio da presunção de inocência e o direito à defesa constituem pilares fundamentais da justiça.
    Independentemente da natureza do processo ou da posição política das pessoas envolvidas, a legislação prevê que todos os cidadãos tenham acesso aos elementos que sustentam eventuais acusações, podendo apresentar provas, argumentos e esclarecimentos antes de qualquer decisão definitiva.
    É precisamente neste contexto que a equipa jurídica ligada ao dirigente da UNITA afirma aguardar os próximos passos das autoridades competentes.
    O Impacto Político do Caso
    Embora o processo possua uma dimensão jurídica, é impossível ignorar a sua componente política. O envolvimento de figuras ligadas a um dos maiores partidos da oposição faz com que cada desenvolvimento seja acompanhado com grande atenção pela opinião pública.
    Em Angola, casos envolvendo dirigentes políticos costumam ultrapassar o âmbito estritamente judicial e acabam por influenciar o debate nacional sobre transparência, democracia, justiça e equilíbrio institucional.
    Por essa razão, qualquer informação relacionada com o processo tende a gerar repercussões significativas nos meios de comunicação social e nas plataformas digitais.
    Entre a Justiça e a Perceção Pública
    Um dos maiores desafios em processos mediáticos consiste precisamente em separar os factos das interpretações.
    Enquanto a justiça trabalha com provas, documentos e procedimentos legais, a opinião pública muitas vezes forma julgamentos com base em informações incompletas ou em narrativas difundidas nas redes sociais.
    É por isso que vários observadores defendem prudência e responsabilidade na abordagem deste tipo de casos, evitando conclusões precipitadas antes do esclarecimento completo dos factos.
    O Papel dos Advogados no Processo
    A função dos advogados não se limita à representação legal dos seus constituintes. Eles desempenham igualmente um papel essencial na garantia do respeito pelos direitos fundamentais e pela observância dos procedimentos previstos na lei.
    Ao afirmarem que aguardam uma notificação formal, os representantes legais procuram demonstrar que pretendem atuar dentro dos mecanismos institucionais adequados, respeitando os trâmites processuais estabelecidos.
    Essa postura é frequentemente considerada um elemento importante para assegurar que qualquer litígio seja resolvido de forma equilibrada e transparente.
    A Necessidade de Transparência Institucional
    Casos que envolvem figuras públicas exigem um elevado grau de transparência por parte das instituições responsáveis.
    A divulgação clara de informações, dentro dos limites permitidos pela lei, contribui para reduzir especulações e fortalece a confiança dos cidadãos no sistema judicial.
    Quando os processos são conduzidos com rigor, imparcialidade e respeito pelos direitos das partes, cria-se um ambiente mais favorável para a credibilidade das instituições e para a estabilidade democrática.
    O Que Pode Acontecer a Seguir
    Aguardada a notificação formal, a equipa jurídica poderá analisar os elementos constantes do processo e definir as estratégias legais adequadas.
    Dependendo dos conteúdos apresentados, poderão ser produzidas respostas jurídicas, pedidos de esclarecimento, apresentação de provas ou outros mecanismos previstos pela legislação angolana.
    Até lá, permanece a expectativa em torno dos próximos desenvolvimentos de um caso que continua a captar a atenção do público e dos observadores políticos.
    Conclusão
    O “Caso Caixa Térmica” permanece aberto e continua a alimentar discussões em diversos sectores da sociedade angolana. As declarações do Secretário Provincial da UNITA em Luanda, indicando que os seus advogados aguardam uma notificação formal, representam mais um capítulo numa situação que ainda está longe de ser encerrada.
    Num contexto em que a justiça, a política e a opinião pública frequentemente se cruzam, a observância rigorosa da lei e o respeito pelos direitos de defesa serão determinantes para que o processo decorra de forma transparente e credível.
    A sociedade continuará atenta aos próximos acontecimentos, aguardando esclarecimentos que permitam compreender plenamente os contornos e as implicações deste caso.

  • “Assim é a democracia deles…”: declaração de deputado do MPLA gera polémica no Parlamento Angolano

    “Assim é a democracia deles…”: declaração de deputado do MPLA gera polémica no Parlamento Angolano

    Assista ao vídeo completo que registrou o momento: VÍDEO

    “Assim é a democracia deles…”: declaração de deputado do MPLA gera polémica no Parlamento Angolano

    Frase de deputado sobre a UNITA provoca reações e debate político

    Uma declaração feita pelo deputado durante uma sessão parlamentar voltou a agitar o debate político em Angola. O parlamentar afirmou que o MPLA “tinha a capacidade e o poder de exterminar a UNITA”, frase que rapidamente gerou fortes reações dentro e fora da Assembleia Nacional.

    O momento tornou-se ainda mais polémico devido à reação da bancada do MPLA, que respondeu às palavras do deputado com uma grande salva de palmas, situação que está a ser amplamente comentada nas redes sociais e em círculos políticos.

    Declaração reacende memórias da guerra civil

    A afirmação surge num contexto sensível da história angolana, marcado por décadas de conflito entre o e a .

    Para muitos cidadãos, a referência ao “extermínio” reacende memórias dolorosas da guerra civil angolana, conflito que deixou milhares de mortos, deslocados e marcas profundas na sociedade.

    Analistas e internautas consideram que discursos desta natureza podem aumentar tensões políticas e alimentar divisões num momento em que muitos defendem mais reconciliação nacional, tolerância e maturidade democrática.

    Reações nas redes sociais

    Após a circulação do vídeo e das declarações, várias páginas e utilizadores das redes sociais passaram a criticar o tom utilizado pelo deputado.

    Enquanto alguns apoiantes do MPLA defenderam que a frase foi retirada de contexto ou usada em sentido político, outros cidadãos consideram que o discurso foi excessivo e incompatível com os princípios democráticos.

    A expressão “Assim é a democracia deles…” tornou-se uma das frases mais repetidas nos comentários online, sendo usada por críticos para questionar o ambiente político no país.

    O peso das palavras na política

    Especialistas em comunicação política defendem que figuras públicas devem ter cautela com o tipo de linguagem utilizada em instituições do Estado, sobretudo em espaços como o Parlamento.

    Num país com histórico de conflitos políticos e militares, palavras ligadas à eliminação ou destruição de adversários podem gerar desconforto social e interpretações perigosas.

    A polémica também reacende o debate sobre liberdade de expressão, responsabilidade política e o papel dos deputados na promoção da unidade nacional.

    Debate continua a dividir opiniões

    Até ao momento, a declaração continua a gerar intensa discussão entre militantes, simpatizantes e observadores da política angolana.

    Para uns, trata-se apenas de retórica política. Para outros, o episódio representa um sinal preocupante sobre o nível do discurso político no país.

    Independentemente das interpretações, o caso voltou a colocar o Parlamento angolano no centro das atenções nacionais.

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