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  • CABINDA CONFIRMA CINCO INFEÇÕES POR MPOX ENTRE 20 CASOS SUSPEITOS

    CABINDA CONFIRMA CINCO INFEÇÕES POR MPOX ENTRE 20 CASOS SUSPEITOS

    CABINDA CONFIRMA CINCO INFEÇÕES POR MPOX ENTRE 20 CASOS SUSPEITOS

    28 MAIO 2026 | ANGOLA


    INTRODUÇÃO

    A província de registou cinco casos positivos de infeção por vírus Monkeypox (Mpox), entre um total de 20 casos suspeitos, segundo informações divulgadas pelas autoridades sanitárias locais.

    A situação está a ser acompanhada pelas estruturas de saúde provinciais, que reforçaram os mecanismos de vigilância epidemiológica.


    SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA EM CABINDA

    De acordo com o secretário provincial da Saúde em Cabinda, Rúben Buco, dois dos cinco casos confirmados já receberam alta hospitalar, embora permaneçam sob vigilância sanitária.

    Três pacientes continuam internados em unidades de saúde locais, enquanto sete amostras de casos suspeitos encontram-se em processamento laboratorial.

    As declarações foram prestadas à , no âmbito da atualização da situação epidemiológica na região.


    CASOS CONFIRMADOS E EVOLUÇÃO CLÍNICA

    As autoridades alertam para a existência de três casos sem vínculo epidemiológico identificado, ou seja, sem histórico conhecido de viagem para zonas de risco ou contacto direto com casos confirmados.

    Esta situação levanta preocupações adicionais quanto à possível transmissão comunitária da doença.

    “Temos cerca de sete amostras em processamento, isso preocupa-nos”, referiu a fonte oficial.


    VIGILÂNCIA E AMOSTRAS EM LABORATÓRIO

    As equipas de saúde continuam a monitorizar os casos suspeitos, com especial atenção às amostras ainda em análise laboratorial.

    O reforço da vigilância visa garantir a deteção precoce de novos casos e evitar a propagação do vírus na comunidade.


    MEDIDAS DAS AUTORIDADES

    Perante a evolução da situação, as autoridades sanitárias realizaram uma formação dirigida aos profissionais de saúde, centrada na prevenção, identificação de sintomas e protocolos de resposta.

    Estas ações inserem-se no esforço de reforço da capacidade de resposta do sistema de saúde local.


    O QUE É A MPOX

    A Mpox é uma doença viral que pode ser transmitida aos seres humanos através do contacto com pessoas ou animais infetados, especialmente roedores e primatas.

    Os sintomas incluem:

    • Erupções cutâneas (manchas e/ou bolhas)
    • Febre
    • Dor de cabeça
    • Dores musculares e articulares
    • Arrepios
    • Inflamação dos gânglios linfáticos

    O período de incubação varia entre 2 a 21 dias após a infeção.

    A doença tem vindo a ser monitorizada pela , devido ao seu potencial de disseminação.


    CONTEXTO NACIONAL E REGIONAL

    registou o primeiro caso de Mpox em 2024, na capital .

    Além de Cabinda, a província do também registou recentemente um caso positivo, levando a região do a reforçar as medidas de prevenção.

    Na região vizinha, a continua a registar um aumento de casos suspeitos, o que mantém as autoridades em alerta.


    REFORÇO DA FORMAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE

    A formação realizada em Cabinda incluiu igualmente conteúdos relacionados com a prevenção de outras doenças virais, incluindo o Ébola, que tem vindo a afetar a região leste da República Democrática do Congo.

    Segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde, registam-se cerca de mil casos suspeitos e pelo menos 223 mortes suspeitas associadas ao surto no país vizinho.


    CONCLUSÃO

    A confirmação de novos casos de Mpox em Cabinda reforça a necessidade de vigilância contínua e de resposta rápida por parte das autoridades sanitárias.

    O cenário regional exige coordenação entre províncias e países vizinhos, bem como o fortalecimento das capacidades locais de diagnóstico e prevenção.

  • Dívida de Angola com a China reduz para USD 12,9 mil milhões

    Dívida de Angola com a China reduz para USD 12,9 mil milhões

    Dívida de Angola com a China reduz para USD 12,9 mil milhões

    28 MAIO 2026 | ANGOLA

    A dívida de Angola com a China reduziu para 12,9 mil milhões de dólares até ao final de 2025, segundo informações divulgadas esta quarta-feira, em Luanda, pelo embaixador da China em Angola. A revelação surge num momento em que o país procura aliviar a pressão da dívida externa e recuperar maior margem financeira para investimentos internos.

    De acordo com o diplomata chinês, o valor poderá baixar ainda mais nos próximos tempos, aproximando-se dos 11 mil milhões de dólares, à medida que Angola continua a cumprir os compromissos assumidos no âmbito dos acordos financeiros entre os dois países.

    Redução representa alívio para as contas públicas

    A diminuição da dívida é vista por analistas económicos como um sinal positivo para a estabilidade financeira do país. Durante vários anos, a China foi o principal credor bilateral de Angola, financiando grandes projectos de reconstrução nacional, infra-estruturas, energia, estradas e habitação.

    Com a redução gradual da dívida, o Estado angolano ganha algum espaço para reorganizar as finanças públicas, reduzir encargos com juros e reforçar áreas consideradas prioritárias, como saúde, educação e apoio à produção nacional.

    China continua como parceiro estratégico de Angola

    Apesar da redução da dívida, a relação entre Angola e China mantém-se estratégica. Os dois países continuam ligados por fortes acordos de cooperação económica e comercial, sobretudo nos sectores do petróleo, construção civil, mineração e telecomunicações.

    A China tem sido um dos maiores parceiros comerciais de Angola nas últimas décadas, desempenhando um papel importante no financiamento de vários projectos estruturantes após o fim da guerra civil.

    Possível redução para USD 11 mil milhões

    Segundo o embaixador chinês, caso o ritmo de pagamentos e renegociações continue dentro das previsões actuais, a dívida poderá cair para cerca de 11 mil milhões de dólares nos próximos períodos.

    A expectativa gera algum optimismo entre economistas e observadores, que defendem maior prudência na contratação de novos empréstimos externos, de forma a evitar um novo ciclo de dependência financeira.

    Debate sobre sustentabilidade da dívida continua

    Embora os números indiquem uma melhoria, especialistas alertam que Angola ainda enfrenta desafios significativos relacionados com a sustentabilidade da dívida pública e a necessidade de diversificação da economia.

    Nos últimos anos, o Governo angolano tem procurado reduzir a dependência do petróleo e aumentar receitas em sectores como agricultura, indústria transformadora e turismo, numa tentativa de fortalecer a economia nacional.

    Perspectivas económicas

    A redução da dívida com a China poderá melhorar a imagem financeira de Angola junto de investidores internacionais e instituições multilaterais. No entanto, economistas sublinham que o verdadeiro impacto dependerá da capacidade do país em transformar esse alívio financeiro em crescimento económico sustentável e melhoria das condições de vida da população.

  • POLÉMICA NO MUNDO DA MÚSICA ANGOLANA: DECLARAÇÕES DE FLOR DE RAIZ DIVIDEM OPINIÕES NAS REDES SOCIAIS

    POLÉMICA NO MUNDO DA MÚSICA ANGOLANA: DECLARAÇÕES DE FLOR DE RAIZ DIVIDEM OPINIÕES NAS REDES SOCIAIS

    POLÉMICA NO MUNDO DA MÚSICA ANGOLANA: DECLARAÇÕES DE FLOR DE RAIZ DIVIDEM OPINIÕES NAS REDES SOCIAIS

    Cantora angolana causa agitação com críticas à forma como algumas artistas alcançam o sucesso

    A cantora angolana Flor de Raiz tornou-se um dos assuntos mais comentados nas redes sociais nas últimas horas, após fazer declarações controversas sobre o percurso de algumas artistas femininas na música nacional.

    Durante uma conversa recente, a artista afirmou que “muitas cantoras angolanas levantaram a saia para alcançar o sucesso”, acrescentando ainda que nunca precisou recorrer a esse tipo de comportamento para conquistar o seu espaço no panorama musical angolano.

    As palavras rapidamente espalharam-se pelas plataformas digitais e provocaram uma onda de reações intensas entre fãs, músicos e internautas.

    Declarações geram debate aceso entre os angolanos

    As opiniões estão profundamente divididas. De um lado, há quem considere que Flor de Raiz teve coragem de abordar uma realidade que, segundo alguns internautas, existe há muito tempo na indústria do entretenimento.

    “Muita gente sabe disso, mas ninguém fala”, escreveu um utilizador nas redes sociais.

    Outros, no entanto, acusam a cantora de generalizar e desrespeitar artistas que construíram as suas carreiras com esforço, talento e dedicação.

    “Não se pode colocar todas as mulheres no mesmo saco”, reagiu outra internauta.

    O debate ganhou ainda mais força porque Flor de Raiz não mencionou nomes específicos, o que levou muitos seguidores a especular sobre quem seriam as artistas visadas indiretamente pelas declarações.

    O peso das palavras no mundo artístico

    A polémica levanta novamente uma discussão antiga dentro da indústria musical: até que ponto o sucesso artístico depende apenas do talento?

    Nos bastidores da música africana e internacional, relatos sobre favoritismos, interesses ocultos e trocas de influência surgem frequentemente, embora raramente sejam assumidos publicamente por figuras conhecidas.

    Por isso, muitos consideram que as declarações de Flor de Raiz tocaram num tema sensível e difícil de discutir abertamente.

    Ao mesmo tempo, especialistas em comunicação alertam que acusações generalizadas podem prejudicar a imagem de artistas que lutam diariamente para afirmar o seu valor profissional num mercado altamente competitivo.

    Redes sociais transformam polémica em tendência

    No Facebook, TikTok e Instagram, milhares de comentários continuam a surgir a cada hora. Alguns utilizadores elogiam a frontalidade da cantora, enquanto outros defendem que ela deveria apresentar provas concretas antes de fazer afirmações tão pesadas.

    A situação mostra também como as redes sociais se tornaram um verdadeiro tribunal público, onde declarações de figuras conhecidas rapidamente se transformam em debates nacionais.

    Curiosamente, vários internautas recordaram outras polémicas semelhantes envolvendo artistas africanos e internacionais que, ao longo dos anos, denunciaram alegados esquemas e pressões existentes no meio artístico.

    Nenhuma artista respondeu até ao momento

    Até agora, nenhuma cantora angolana reagiu oficialmente às declarações feitas por Flor de Raiz. O silêncio das artistas mencionadas indiretamente está igualmente a alimentar ainda mais curiosidade entre os seguidores da música nacional.

    Enquanto isso, o nome da cantora continua entre os assuntos mais comentados do momento, numa polémica que promete ainda gerar muitos capítulos nos próximos dias.

    Entre coragem e polémica: o impacto de uma frase

    Independentemente das opiniões, uma coisa é certa: Flor de Raiz conseguiu colocar novamente em discussão temas delicados relacionados com o universo artístico angolano.

    Para muitos, foi um ato de coragem. Para outros, uma declaração irresponsável.

    Mas no meio de toda a controvérsia, a discussão acabou por abrir espaço para um debate mais profundo sobre respeito, mérito, ética profissional e os desafios enfrentados pelas mulheres na indústria da música.

  • Escassez de combustível em Luanda provoca longas filas e preocupa cidadãos

    Escassez de combustível em Luanda provoca longas filas e preocupa cidadãos

    Escassez de combustível em Luanda provoca longas filas e preocupa cidadãos

    Motoristas passam horas à espera nos postos de abastecimento

    A escassez de combustível registada nas últimas horas em vários pontos de Luanda está a provocar enormes filas nos postos de abastecimento, deixando milhares de automobilistas em situação de desespero e incerteza.

    Desde as primeiras horas do dia, imagens de filas intermináveis começaram a circular nas redes sociais, mostrando viaturas alinhadas por quilómetros em algumas zonas da capital. Em vários postos, os condutores relatam ter esperado durante horas apenas para conseguir alguns litros de combustível.

    A situação gerou tensão em diferentes bairros de Luanda, sobretudo entre taxistas, mototaxistas e trabalhadores que dependem diariamente dos transportes para garantir o sustento das suas famílias.

    Taxistas e cidadãos relatam dificuldades

    Para muitos cidadãos, o problema vai além do simples abastecimento. Alguns taxistas afirmam que a falta de combustível está a afectar directamente o rendimento diário, numa altura em que o custo de vida continua elevado.

    “Passei quase metade do dia na fila e ainda não consegui abastecer. Assim fica difícil trabalhar e levar dinheiro para casa”, contou um motorista visivelmente cansado.

    Em vários postos, houve momentos de ansiedade, discussões e muita pressão, à medida que os veículos aumentavam e o combustível disponível diminuía rapidamente.

    Postos encerrados e rumores aumentam preocupação

    Em algumas áreas da cidade, certos postos chegaram mesmo a encerrar temporariamente por falta de combustível, situação que acabou por alimentar rumores e aumentar ainda mais a corrida dos automobilistas aos locais onde ainda havia abastecimento.

    Especialistas alertam que, em momentos de escassez, o medo colectivo tende a agravar o problema, levando muitas pessoas a abastecer acima do normal por receio de uma paralisação prolongada.

    Solidariedade também marcou o dia

    Apesar do cenário de preocupação, algumas histórias de solidariedade chamaram atenção. Em determinados postos, cidadãos ajudaram idosos a manter lugar nas filas, enquanto outros dividiram informações sobre locais onde ainda existia combustível disponível.

    Houve também motoristas que ofereceram água e apoio a pessoas que passaram várias horas sob o calor intenso de Luanda, demonstrando que, mesmo em tempos difíceis, pequenos gestos humanos continuam a fazer diferença.

    Curiosidades sobre crises de combustível

    Situações semelhantes já ocorreram em diferentes países africanos e até em grandes economias mundiais. Em muitos casos, longas filas acabam por surgir não apenas pela falta efectiva do produto, mas também pelo receio da população diante de possíveis rupturas no abastecimento.

    Economistas explicam que rumores e compras em excesso podem acelerar o desaparecimento do combustível disponível nos postos, criando um efeito de pressão ainda maior sobre o sistema de distribuição.

    População aguarda esclarecimentos

    Enquanto as filas continuam em várias zonas de Luanda, muitos cidadãos aguardam informações oficiais que possam tranquilizar a população e esclarecer as razões da escassez.

    Nas redes sociais, o tema tornou-se um dos mais comentados do dia, com milhares de publicações, vídeos e relatos de pessoas afectadas pela situação.

    Para já, a esperança de muitos automobilistas é que o abastecimento seja normalizado rapidamente, evitando impactos maiores na mobilidade e na vida económica da capital angolana.Tags: Luanda, combustível, escassez de combustível, filas nos postos, Angola, abastecimento, crise de combustível, taxistas, mobilidade urbana, notícias de Luanda

  • Higino Carneiro regressa ao Bié: uma viagem ao passado que reacende leituras sobre o futuro do MPLA

    Higino Carneiro regressa ao Bié: uma viagem ao passado que reacende leituras sobre o futuro do MPLA


    Higino Carneiro regressa ao Bié: uma viagem ao passado que reacende leituras sobre o futuro do MPLA


    O regresso ao Bié e o simbolismo de “voltar onde tudo começou”

    O general e político encontra-se desde o final da tarde de terça-feira, 26 de maio, na província do , numa deslocação que está a chamar atenção tanto no meio político como entre militantes locais.

    A visita, que ocorre num momento de crescente movimentação interna no , é interpretada como uma avaliação do nível de apoio à sua eventual candidatura à presidência do partido, no congresso previsto para dezembro de 2026.

    Mais do que uma agenda política, a presença no Bié carrega um peso simbólico: é o regresso a uma das etapas mais marcantes da sua trajetória militar e pessoal.


    Uma caravana que não passou despercebida no Cuito

    Segundo relatos do jornalista José Samakaka, a comitiva do também conhecido “general 4×4” integrou várias viaturas, incluindo unidades de segurança.

    A caravana realizou paragem para abastecimento na entrada da cidade do Cuito, em postos da rede , o que gerou curiosidade e movimentação entre residentes e transeuntes.

    Na capital provincial, a presença da delegação tem motivado expectativa, sobretudo por conta das reuniões previstas com militantes e estruturas locais do partido.


    Encontros políticos e sinais de estratégia interna

    Durante a estadia, deverá manter contactos com apoiantes e dirigentes locais, abordando as linhas gerais do que considera ser um projeto de renovação interna no MPLA.

    Embora não haja declarações oficiais sobre uma candidatura formal, a deslocação ao Bié é vista por analistas e militantes como um movimento estratégico de auscultação política, num contexto em que o partido se prepara para debates internos importantes.


    O peso da história: o Bié na memória de um jovem comandante

    O regresso ao Bié também resgata memórias da sua juventude militar. Após a independência, por volta de 1976, Higino Carneiro serviu na região como comandante de companhia na então Frente Leste.

    Na época, participou em operações militares em diferentes pontos da província, incluindo o município de Camacupa, quando tinha cerca de 23 anos.

    Esse passado confere à atual visita um tom de reencontro com a própria história, num território que marcou o início da sua trajetória nas Forças Armadas.


    Curiosidades e leituras que a visita desperta

    • O apelido “general 4×4” tornou-se popular ao longo dos anos devido à sua forte presença em deslocações pelo interior do país, muitas vezes em condições difíceis de acesso.
    • O Bié é frequentemente referido como uma das províncias mais simbólicas da história militar pós-independência em Angola.
    • Movimentos políticos deste tipo, com deslocações a regiões estratégicas, são historicamente usados para medir apoio interno em períodos pré-congressuais.
    • A combinação entre memória militar e atividade política atual reforça a leitura de continuidade da sua influência em diferentes fases da história nacional.

    Um momento de leitura política e emocional

    A deslocação de ao não é apenas mais uma agenda pública. É também um episódio que mistura história, simbolismo e estratégia política num momento decisivo para o futuro interno do MPLA.

    Entre memórias de guerra, encontros partidários e sinais de mobilização, o que se observa é um regresso que fala tanto ao passado quanto ao futuro.

  • Sobrevivente do 27 de Maio defende Comissão da Verdade e afirma: “Só com a descoberta do que realmente esteve na base do massacre, é que haverá reconciliação”

    Sobrevivente do 27 de Maio defende Comissão da Verdade e afirma: “Só com a descoberta do que realmente esteve na base do massacre, é que haverá reconciliação”

    Sobrevivente do 27 de Maio defende Comissão da Verdade e afirma: “Só com a descoberta do que realmente esteve na base do massacre, é que haverá reconciliação”

    Quarenta e nove anos depois, sobrevivente do 27 de Maio volta a questionar narrativa oficial

    No dia em que se assinalam 49 anos dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977, em Angola, o sobrevivente Miguel Francisco “Michel” voltou a defender a necessidade de uma verdadeira investigação sobre os factos que marcaram um dos períodos mais traumáticos da história política angolana.

    Num extenso texto de reflexão publicado em Luanda, o sobrevivente afirma que apenas a descoberta da verdade sobre as causas e os responsáveis pelo massacre poderá abrir caminho para uma reconciliação nacional autêntica.

    “Só com a descoberta do que realmente esteve na base do massacre, é que haverá a verdadeira reconciliação”, escreveu Francisco Michel.


    A visão de um sobrevivente sobre os acontecimentos de 1977

    Segundo Miguel Francisco “Michel”, os acontecimentos de 27 de Maio não podem ser reduzidos à narrativa de uma simples “intentona fraccionista”, expressão usada oficialmente durante décadas para descrever os acontecimentos.

    Na sua perspetiva, tratou-se de uma disputa essencialmente política dentro do MPLA, relacionada com a definição do rumo que o país deveria seguir após a independência.

    O sobrevivente recorda nomes como Nito Alves, José Van-Dúnem, Monstro Imortal, Bakaloff e Sianuk, apontando-os como figuras que defendiam determinados princípios políticos e ideológicos dentro do movimento.

    De acordo com Michel, a resposta à manifestação foi uma repressão previamente preparada, conduzida sob orientação de dirigentes que, segundo ele, procuravam manter o controlo absoluto do poder político.


    Críticas à narrativa da “Intentona Fraccionista”

    No documento, Miguel Francisco acusa alguns dos antigos dirigentes do MPLA de continuarem a sustentar a narrativa oficial dos acontecimentos, apesar das dúvidas e das informações que, ao longo dos anos, foram surgindo sobre o caso.

    O sobrevivente destaca o papel desempenhado pela imprensa estatal na época, particularmente o Jornal de Angola, que divulgava mensagens de apoio à repressão.

    Michel considera que o país precisa de uma Comissão da Verdade independente, composta por personalidades de reconhecida idoneidade moral e cívica, capaz de investigar os acontecimentos sem condicionamentos políticos.


    “Não vamos perder tempo com julgamentos”

    Entre os episódios mencionados no texto, o sobrevivente refere-se à frase atribuída ao então Presidente Agostinho Neto:

    “Não haverá perdão, nem tolerância contra todos aqueles que mataram e tentaram destruir o MPLA.”

    E acrescenta ainda outra expressão frequentemente associada à repressão daquele período:

    “Não vamos perder tempo com julgamentos.”

    Segundo Michel, estas declarações acabaram por servir de base política e moral para a perseguição e execução de milhares de militantes, sem direito a julgamento.


    Debate sobre patriotismo e dupla nacionalidade

    Além da reflexão histórica sobre o 27 de Maio, Miguel Francisco aproveitou a ocasião para abordar o que considera ser uma crescente crise de patriotismo entre alguns dirigentes angolanos.

    O sobrevivente criticou responsáveis políticos que, segundo afirma, acumulam fortunas em Angola enquanto procuram adquirir nacionalidade estrangeira, sobretudo portuguesa, e transferem os seus interesses e património para o exterior.

    Na sua visão, dirigentes com dupla nacionalidade não deveriam ocupar determinados cargos de elevada responsabilidade no Estado angolano.


    A exigência de verdade e reconciliação

    Ao encerrar a sua reflexão, Miguel Francisco “Michel” reafirma que o país continua a precisar de respostas claras sobre os acontecimentos de 1977.

    Para o sobrevivente, ignorar as causas profundas do massacre representa um obstáculo à construção de uma verdadeira reconciliação nacional.

    “O tempo é aliado da razão, porque esta corporiza o bem e a verdade”, conclui.


    Um capítulo ainda sensível da história angolana

    Os acontecimentos de 27 de Maio de 1977 continuam a dividir opiniões em Angola. Enquanto alguns defendem a narrativa oficial apresentada pelo Estado ao longo das décadas, outros exigem maior transparência, investigação histórica e reconhecimento das vítimas.

    Quase cinco décadas depois, o tema permanece como uma das páginas mais sensíveis e debatidas da história contemporânea angolana.


  • UNINBE anuncia cerimónia de outorga para o dia 12 de Junho em Moçâmedes

    UNINBE anuncia cerimónia de outorga para o dia 12 de Junho em Moçâmedes

    UNINBE anuncia cerimónia de outorga para o dia 12 de Junho em Moçâmedes
    A UNINBE anunciou oficialmente a realização da cerimónia de outorga de diplomas destinada aos seus finalistas, marcando um momento de grande importância académica e simbólica para a instituição e para os estudantes que concluem a sua formação superior.
    O evento está agendado para o dia 12 de Junho de 2026 e terá lugar no Pavilhão do Benfica, localizado no bairro Saidy Mingas, na cidade de Moçâmedes. A confirmação põe fim à expectativa que vinha crescendo entre os estudantes finalistas e seus familiares, que aguardavam a definição oficial da data.
    Confirmação oficial após semanas de expectativa
    A divulgação da data surge após um período de incerteza entre os candidatos à cerimónia de outorga. Muitos finalistas vinham questionando a instituição sobre o calendário do evento, que tradicionalmente representa o encerramento formal do percurso académico.
    Com o anúncio oficial, a universidade procura organizar de forma estruturada uma cerimónia que corresponda à importância do momento, tanto para os estudantes como para a comunidade académica.
    Orientações da Direcção dos Assuntos Académicos
    De acordo com o comunicado da Direcção dos Assuntos Académicos, todos os licenciados deverão cumprir um requisito essencial antes da cerimónia: até ao dia 5 de Junho de 2026, devem confirmar a posse do traje académico oficial da instituição ou apresentar o comprovativo de encomenda.
    Esta medida visa garantir uniformidade e organização no dia do evento, evitando contratempos logísticos e assegurando que todos os finalistas estejam devidamente preparados para a cerimónia.
    Local do evento e preparação logística
    O Pavilhão do Benfica, no bairro Saidy Mingas, foi o espaço escolhido para acolher a cerimónia. O local deverá concentrar centenas de estudantes, familiares, docentes e convidados, tornando o evento um dos momentos académicos mais relevantes do calendário da instituição em 2026.
    Espera-se que a organização inclua controlo de acesso, organização por turmas e horários específicos para entrada dos finalistas, de forma a garantir fluidez e ordem durante o acto.
    Cerimónia aberta ao público
    A UNINBE reforçou que a cerimónia será aberta ao público em geral, permitindo a presença de familiares, amigos e membros da comunidade que desejem acompanhar o momento de celebração dos novos licenciados.
    A instituição também sublinha a importância do cumprimento rigoroso das orientações definidas pela organização, como forma de assegurar o bom funcionamento do evento e o respeito pelo protocolo académico.
    Importância da cerimónia de outorga
    A outorga de diplomas representa o culminar de anos de esforço académico, dedicação e superação. Para muitos estudantes, trata-se de um dos momentos mais significativos da vida universitária, simbolizando não apenas a conclusão de um ciclo, mas também o início de novas etapas profissionais.
    No contexto da UNINBE, a cerimónia também reforça o compromisso da instituição com a formação de quadros qualificados e com a valorização do ensino superior em Angola.
    Conclusão
    Com a data agora oficialmente confirmada, os finalistas entram na fase final de preparação para um dos momentos mais aguardados da sua trajetória académica. A expectativa é de uma cerimónia marcada pela organização, emoção e celebração do mérito académico.

  • Apresentador moçambicano critica possível show de 3 Finner em Moçambique

    Apresentador moçambicano critica possível show de 3 Finner em Moçambique

    Apresentador moçambicano critica possível show de 3 Finner em Moçambique


    O apresentador moçambicano Fred Jossias está no centro de uma polémica após criticar publicamente a possível realização de espetáculos do artista angolano 3 Finer em Moçambique, previstos para o próximo mês de junho.
    As declarações foram feitas durante um programa televisivo em direto, onde o comunicador questionou a relevância musical do artista para atuar no país. Segundo Fred Jossias, o cantor angolano não possui sucessos suficientes para justificar a realização de shows em território moçambicano.


    “Esse artista não sabe cantar. Quais são os hits dele para vir fazer shows aqui em Moçambique?”, afirmou o apresentador durante a emissão do programa.


    As palavras rapidamente geraram reações nas redes sociais, dividindo opiniões entre internautas moçambicanos e angolanos.

    Enquanto alguns concordam com as críticas feitas pelo apresentador, outros consideram as declarações desrespeitosas e defendem o crescimento internacional da música angolana e dos novos artistas da cena urbana.
    Até ao momento, 3 Finer ainda não se pronunciou oficialmente sobre as declarações.


    Possível impacto nas relações artísticas


    A polémica volta a levantar debates sobre a valorização de artistas africanos dentro do próprio continente, especialmente entre Angola e Moçambique, dois países historicamente ligados pela língua portuguesa e pelo intercâmbio cultural.


    Nos últimos anos, vários músicos angolanos têm conquistado espaço em diferentes países africanos, levando géneros urbanos e tendências musicais que têm ganhado forte presença nas plataformas digitais.

  • Estatuto do Indígena em Angola: uma leitura crítica sobre controlo social e imposição cultural

    Estatuto do Indígena em Angola: uma leitura crítica sobre controlo social e imposição cultural

    Baixar grátis em PDF o Estatuto do Indígena ndígena

    Estatuto do Indígena em Angola: uma leitura crítica sobre controlo social e imposição cultural


    Introdução


    O Estatuto do Indígena, instituído durante o período colonial português em Angola e noutras colónias africanas, permanece como um dos documentos mais discutidos da administração colonial. Mais do que um simples instrumento jurídico, ele é frequentemente analisado como parte de uma engenharia social mais ampla, onde o direito era utilizado como ferramenta de organização e hierarquização das populações.

    Ler também: A Poligamia no Período Colonial Português: O Que Diziam Realmente os Documentos do Estatuto do Indígena?


    Uma lógica de classificação social


    O diploma estabelecia uma divisão formal entre “indígenas” e “assimilados”, criando um sistema de classificação que ultrapassava critérios puramente territoriais ou administrativos. Na prática, o enquadramento legal dependia do grau de aproximação aos padrões culturais, linguísticos e institucionais definidos pelo modelo europeu da época.
    Essa estrutura gerava uma hierarquia jurídica e social em que o reconhecimento de direitos estava associado à adesão a determinados comportamentos considerados “civilizados” pela administração colonial, relegando práticas tradicionais a uma posição secundária no sistema legal.


    Família, costumes e padrões culturais


    Um dos pontos mais sensíveis desse processo foi a organização da vida familiar e social. Estruturas tradicionais africanas, incluindo diferentes formas de união conjugal, foram confrontadas com o modelo europeu cristão, baseado na monogamia e no casamento civil reconhecido oficialmente.
    Embora o texto legal não apresente uma proibição direta e explícita sobre práticas como a poligamia, o enquadramento administrativo e institucional favorecia claramente o modelo europeu como referência de legitimidade social e jurídica. Na prática, isso criava uma pressão indireta para a adaptação a normas externas como condição de reconhecimento e mobilidade social dentro do sistema colonial.


    Uma leitura crítica do sistema


    O Estatuto do Indígena não pode ser analisado apenas como um conjunto isolado de regras jurídicas. Ele integrava um sistema mais amplo de regulação social, no qual o acesso a direitos e a cidadania plena estava condicionado à conformidade com padrões culturais definidos externamente.
    Sob uma leitura crítica contemporânea, este modelo revela um processo de reorganização das identidades sociais, onde determinadas práticas e formas de organização comunitária eram valorizadas institucionalmente, enquanto outras eram classificadas como inferiores ou incompatíveis com o sistema administrativo vigente.


    Conclusão


    A análise do Estatuto do Indígena exige rigor histórico e distinção entre o texto legal e os efeitos da sua aplicação prática. Mais do que um documento do passado, ele levanta questões sobre a forma como sistemas jurídicos podem influenciar culturas, redefinir estruturas sociais e condicionar o reconhecimento de identidades.
    A sua leitura atual deve ser feita com base em contexto histórico, evitando simplificações, mas sem ignorar o impacto profundo que teve na organização social das populações sob administração colonial.

  • SERGIO RAIMUNDO ALERTA PARA POSSÍVEL “ARTIMANHA” NA CONSTITUIÇÃO DE ANGOLA

    SERGIO RAIMUNDO ALERTA PARA POSSÍVEL “ARTIMANHA” NA CONSTITUIÇÃO DE ANGOLA

    SERGIO RAIMUNDO ALERTA PARA POSSÍVEL “ARTIMANHA” NA CONSTITUIÇÃO DE ANGOLA

    Advogado aponta artigo 132 como ponto sensível para interpretações sobre limites de mandato presidencial e levanta debate jurídico e político em Angola

    O advogado angolano alertou para o que considera ser uma possível “artimanha constitucional” associada à redação do artigo 132 da Constituição da República de Angola, durante uma intervenção no programa Conversas Essenciais, da , emitido no dia 23 de maio de 2026.

    A declaração surge num contexto de debate jurídico sobre os limites de mandato presidencial e as possíveis interpretações da Constituição, especialmente após a revisão constitucional de 2021.

    Debate não defende terceiro mandato, afirma jurista

    Durante a sua intervenção, Sergio Raimundo fez questão de esclarecer que nem ele nem o jornalista defendem a possibilidade de um terceiro mandato presidencial em Angola. Segundo o jurista, o objetivo do debate é alertar a sociedade para riscos de interpretação jurídica que possam permitir a permanência prolongada no poder.

    “Janela” na revisão constitucional de 2021

    O advogado afirmou que a redação introduzida na revisão constitucional de 2021 teria criado uma “janela interpretativa” que pode gerar leituras diferentes sobre os limites aplicáveis ao exercício do poder executivo.

    Segundo a sua análise, essa formulação pode abrir espaço para debates jurídicos sobre a continuidade no cargo presidencial para além do que é tradicionalmente entendido pela opinião pública.

    Preocupação com o Tribunal Constitucional

    Sergio Raimundo manifestou ainda preocupação com o papel do , recordando decisões anteriores que classificou como “surpresas amargas”. Para o jurista, o tema deve ser amplamente discutido antes das eleições gerais de 2027.

    Observações sobre o MPLA e dinâmica interna

    Na mesma intervenção, o advogado comentou declarações recentes de Jú Martins, mandatário do para questões congressuais. Segundo Sergio Raimundo, tais declarações podem indicar sinais de controlo interno na definição do futuro candidato presidencial do partido.

    O jurista criticou ainda o que descreveu como falta de democracia interna na escolha de lideranças dentro do partido, defendendo que as decisões sobre a liderança parecem concentrar-se na direção partidária.

    Interpretação dos artigos 131 e 132 da Constituição

    Ao aprofundar a análise jurídica, Sergio Raimundo destacou os artigos 131 e 132 da Constituição da República de Angola, defendendo que o cargo de vice-presidente tem natureza distinta da função presidencial, sendo um órgão de apoio ao Presidente da República.

    Segundo explicou, a expressão “com as devidas adaptações”, presente na nova redação constitucional, pode permitir diferentes interpretações sobre a aplicação de limites de mandato no caso de um vice-presidente que venha a assumir funções presidenciais.

    Ponto de maior controvérsia

    O advogado sublinhou que o trecho do artigo 132 que estabelece que determinado período “não será considerado como cumprimento de mandato presidencial para nenhum efeito” é o principal ponto de controvérsia jurídica.

    Na sua leitura, essa formulação poderá vir a ser usada como base para interpretações futuras sobre eventual extensão do exercício do poder presidencial.

    Apelo ao debate público

    Sergio Raimundo concluiu defendendo que os cidadãos devem acompanhar com atenção os desenvolvimentos políticos e jurídicos ligados à sucessão presidencial em Angola e “ler os sinais dos tempos”, apelando a um debate público mais amplo sobre a interpretação da Constituição.


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