ALIADO DE TRUMP IRONIZA LULA APÓS DECLARAÇÕES SOBRE PCC E COMANDO VERMELHO: “CHORA MAIS”
30 MAIO 2026 | BRASIL
As tensões políticas entre sectores ligados ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e aliados do presidente norte-americano Donald Trump ganharam um novo capítulo após a decisão dos Estados Unidos de classificarem duas das maiores organizações criminosas do Brasil, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas.
A polémica intensificou-se depois de declarações do presidente brasileiro criticando a medida norte-americana e questionando o papel de figuras políticas brasileiras que mantêm contactos com autoridades dos Estados Unidos. Em resposta, Jason Miller, um dos mais conhecidos aliados de Donald Trump, utilizou as redes sociais para ridicularizar as críticas de Lula, gerando uma onda de reações no Brasil e no exterior.
Jason Miller responde às críticas de Lula
Jason Miller, antigo conselheiro de Donald Trump e uma das vozes mais influentes do círculo político conservador norte-americano, manifestou-se nas redes sociais neste sábado (30), um dia após Lula comentar a decisão da Casa Branca.
Na publicação, Miller escreveu que Lula deveria simplesmente “chorar mais”, numa clara provocação ao chefe de Estado brasileiro.
O aliado de Trump acrescentou ainda a expressão “womp womp”, uma gíria amplamente utilizada na internet para demonstrar desinteresse ou deboche perante reclamações e críticas. A expressão faz referência ao som de um trombone triste e costuma ser utilizada para minimizar ou ridicularizar as queixas de terceiros.
A publicação rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais, dividindo opiniões entre apoiantes e críticos dos dois líderes políticos.
O discurso de Lula em Sergipe
Na sexta-feira (29), durante uma agenda oficial no estado de Sergipe, Lula aproveitou um evento relacionado com investimentos da Petrobras para criticar o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e pré-candidato à Presidência da República.
Durante o discurso, o presidente brasileiro classificou Flávio Bolsonaro como um “traidor”, acusando-o de procurar apoio estrangeiro para interferir em assuntos internos do Brasil.
Segundo Lula, o senador “não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria e ir para os Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil”.
As declarações foram feitas poucos dias após a viagem de Flávio Bolsonaro a Washington, onde participou em reuniões com representantes do governo norte-americano e teve contacto direto com Donald Trump.
A referência à Inconfidência Mineira
Ao reforçar as críticas ao senador, Lula recorreu a uma das figuras mais controversas da história brasileira: Joaquim Silvério dos Reis.
Conhecido por denunciar os participantes da Inconfidência Mineira às autoridades portuguesas no século XVIII, Silvério dos Reis tornou-se um símbolo de traição na memória colectiva brasileira.
O presidente afirmou que até mesmo Joaquim Silvério dos Reis ficaria “envergonhado” diante das atitudes de Flávio Bolsonaro, numa comparação que procurou reforçar a gravidade das suas acusações.
A declaração provocou forte repercussão política e alimentou o debate entre governo e oposição.
Acusações envolvendo milícias
Durante o mesmo discurso, Lula também voltou a mencionar alegadas ligações entre figuras próximas de Flávio Bolsonaro e investigações relacionadas com milícias no Rio de Janeiro.
“Se ele fosse pedir intervenção para prender miliciano, eles ficavam presos lá”, declarou o presidente.
A frase remete para as investigações envolvendo Fabrício Queiroz, ex-assessor parlamentar de Flávio Bolsonaro, acusado de ter transferido mais de 200 mil reais ao ex-policial militar Adriano da Nóbrega.
Adriano foi apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças de grupos milicianos no estado do Rio de Janeiro, tema que continua a gerar controvérsia no cenário político brasileiro.
A defesa da PEC da Segurança Pública
Lula também aproveitou a ocasião para defender a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, uma das principais apostas do seu governo para reforçar o combate ao crime organizado.
O presidente pediu aos parlamentares que apoiem a proposta actualmente em análise no Senado Federal.
“Não brinquem com a soberania desse país, não brinquem com a nossa democracia, não duvidem das coisas que nós fazemos nesse país. Se quiser combater o crime organizado, aprove a PEC da Segurança Pública que está no Senado”, afirmou.
Contudo, o projecto permanece parado no Senado e ainda enfrenta resistência de sectores da oposição e de alguns governos estaduais.
O encontro entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump
O centro da polémica está ligado ao recente encontro entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca.
Segundo o senador brasileiro, um dos assuntos discutidos durante a reunião foi o fortalecimento do combate às organizações criminosas brasileiras que actuam em diversos países da América Latina.
Após o encontro, Flávio Bolsonaro confirmou publicamente que solicitou ao governo norte-americano que classificasse o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
Para os defensores da medida, a classificação permitirá ampliar mecanismos de cooperação internacional, rastreamento financeiro e combate ao crime transnacional.
Por outro lado, críticos argumentam que a decisão pode abrir precedentes para uma participação mais activa dos Estados Unidos em assuntos internos do Brasil.
Estados Unidos classificam PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas
Na quinta-feira (28), poucos dias após a reunião entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump, a Casa Branca anunciou oficialmente a inclusão do PCC e do Comando Vermelho na lista de organizações terroristas.
A decisão representa uma mudança significativa na forma como os Estados Unidos passam a tratar as actividades dessas facções criminosas.
O PCC e o Comando Vermelho são considerados dois dos grupos criminosos mais poderosos da América do Sul, estando associados ao tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro, homicídios, extorsões e outras actividades ilícitas.
A nova classificação poderá permitir sanções mais severas, congelamento de activos financeiros e ampliação da cooperação entre agências internacionais de segurança.
Governo Lula teme interferência externa
O governo brasileiro demonstrou preocupação com os possíveis desdobramentos da decisão norte-americana.
Autoridades ligadas ao Palácio do Planalto defendem que o combate ao crime organizado deve continuar sob liderança das instituições brasileiras, sem abertura para interferências externas que possam afectar a soberania nacional.
Nesse contexto, Lula argumentou que o Brasil possui capacidade institucional para enfrentar as facções criminosas através dos seus próprios mecanismos de segurança e justiça.
O presidente também alertou para os riscos de decisões unilaterais tomadas por governos estrangeiros em relação a problemas internos brasileiros.
Lula critica os Estados Unidos e menciona Delaware
Ao comentar a decisão da Casa Branca, Lula fez ainda uma observação que chamou atenção dos analistas políticos.
Segundo o presidente, se os Estados Unidos desejam iniciar uma verdadeira luta contra o crime organizado e a lavagem de dinheiro, deveriam começar pelo estado de Delaware.
Lula referiu-se à existência de empresas brasileiras suspeitas de operações financeiras irregulares registadas naquele estado norte-americano, frequentemente citado em debates sobre estruturas empresariais utilizadas para movimentação de capitais.
A declaração acrescentou um novo elemento à controvérsia e ampliou o debate sobre cooperação internacional, combate ao crime organizado e soberania nacional.
Uma polémica com repercussões internacionais
A troca de declarações entre Lula, Flávio Bolsonaro, Donald Trump e Jason Miller demonstra como as questões relacionadas com segurança pública e crime organizado estão cada vez mais inseridas num contexto internacional.
Enquanto sectores da oposição comemoram a decisão dos Estados Unidos como uma medida firme contra o crime organizado, membros do governo brasileiro veem a iniciativa com cautela e preocupação.
O episódio evidencia também a crescente polarização política que continua a marcar o Brasil, onde temas de segurança, soberania nacional e relações internacionais se transformam rapidamente em disputas partidárias.
Nos próximos meses, a discussão sobre o combate ao PCC, ao Comando Vermelho e sobre os limites da cooperação internacional deverá permanecer no centro do debate político brasileiro.