Primeira-ministra da Dinamarca gera polémica ao afirmar que preferiria que os filhos fumassem ao invés de usarem redes sociais
Declaração durante conferência sobre segurança digital torna-se viral
A primeira-ministra em funções da Dinamarca, , viu-se envolvida numa intensa polémica depois de uma declaração feita durante uma conferência dedicada à segurança online, realizada em Copenhaga.
Ao abordar os riscos associados à utilização das redes sociais por crianças e adolescentes, Frederiksen afirmou que, caso tivesse filhos pequenos nos dias de hoje, preferiria que fumassem em vez de serem deixados sozinhos nas plataformas digitais.
A frase rapidamente se espalhou pela internet, gerando reações contraditórias entre apoiantes e críticos.
A frase que desencadeou o debate
Durante a sua intervenção, a chefe do Governo dinamarquês procurava alertar para aquilo que considera ser uma ameaça crescente à segurança e ao desenvolvimento das crianças no ambiente digital.
“Se hoje tivesse filhos pequenos, preferiria que fumassem a deixá-los sozinhos nas redes sociais. Mas sou primeira-ministra interina, por isso não vou dizer isto”, afirmou.
A governante acrescentou ainda que a sociedade continua demasiado focada em ameaças do passado, enquanto ignora perigos mais recentes e cada vez mais presentes no quotidiano.
Segundo Frederiksen, a exposição constante aos conteúdos digitais, a manipulação algorítmica e os riscos associados à interação online representam desafios que exigem maior atenção por parte dos adultos e das instituições.
Reações divididas nas redes sociais
As declarações provocaram uma onda de comentários nas redes sociais.
Muitos utilizadores consideraram a comparação inadequada, argumentando que o tabagismo continua a ser uma das principais causas evitáveis de doenças e mortes em todo o mundo.
Outros defenderam que, apesar dos riscos associados ao ambiente digital, as redes sociais também oferecem oportunidades de aprendizagem, comunicação e acesso à informação.
Entre os críticos, houve quem alertasse para o perigo de se minimizar os efeitos nocivos do consumo de tabaco. Alguns utilizadores afirmaram que os aspetos negativos das redes sociais podem ser combatidos através da educação digital, enquanto o tabagismo constitui um vício com consequências graves para a saúde.
Também surgiram comentários relacionando as declarações com o debate europeu sobre a regulação e o controlo das plataformas digitais.
Apoio de alguns internautas
Apesar das críticas, a primeira-ministra recebeu igualmente manifestações de apoio.
Diversos utilizadores interpretaram a afirmação como uma hipérbole destinada a chamar a atenção para os perigos enfrentados por crianças e adolescentes na internet, e não como uma defesa do consumo de tabaco.
Para estes apoiantes, a mensagem central da governante era destacar a necessidade de uma maior proteção dos menores no espaço digital.
Pedido público de desculpas
Face à controvérsia gerada, Mette Frederiksen acabou por esclarecer a sua posição e pediu desculpa publicamente.
Numa publicação nas redes sociais, afirmou que as suas palavras não pretendiam, de forma alguma, incentivar o consumo de tabaco.
“É evidente que crianças e jovens não devem fumar. Assim como as crianças não devem ficar sozinhas em plataformas digitais, onde correm riscos de ver imagens prejudiciais, receber ofertas, serem aliciadas ou chantageadas com imagens íntimas”, escreveu.
A governante acrescentou que o objetivo da sua intervenção era sensibilizar os adultos para a vulnerabilidade das crianças perante os riscos existentes no ambiente digital.
Contexto político na Dinamarca
A polémica surgiu numa altura particularmente relevante da política dinamarquesa.
Após as eleições legislativas realizadas em março, Mette Frederiksen apresentou a sua demissão formal, conforme previsto pelo processo constitucional do país. Contudo, posteriormente recebeu do rei o mandato para tentar formar um novo governo, depois de várias rondas de negociações entre os partidos não terem produzido um acordo estável.
Enquanto decorrem as negociações políticas, as declarações da primeira-ministra continuam a alimentar o debate sobre os limites das redes sociais, a proteção dos menores e o papel dos governos na regulação do ambiente digital.

