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  • Sobrevivente do 27 de Maio defende Comissão da Verdade e afirma: “Só com a descoberta do que realmente esteve na base do massacre, é que haverá reconciliação”

    Sobrevivente do 27 de Maio defende Comissão da Verdade e afirma: “Só com a descoberta do que realmente esteve na base do massacre, é que haverá reconciliação”

    Sobrevivente do 27 de Maio defende Comissão da Verdade e afirma: “Só com a descoberta do que realmente esteve na base do massacre, é que haverá reconciliação”

    Quarenta e nove anos depois, sobrevivente do 27 de Maio volta a questionar narrativa oficial

    No dia em que se assinalam 49 anos dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977, em Angola, o sobrevivente Miguel Francisco “Michel” voltou a defender a necessidade de uma verdadeira investigação sobre os factos que marcaram um dos períodos mais traumáticos da história política angolana.

    Num extenso texto de reflexão publicado em Luanda, o sobrevivente afirma que apenas a descoberta da verdade sobre as causas e os responsáveis pelo massacre poderá abrir caminho para uma reconciliação nacional autêntica.

    “Só com a descoberta do que realmente esteve na base do massacre, é que haverá a verdadeira reconciliação”, escreveu Francisco Michel.


    A visão de um sobrevivente sobre os acontecimentos de 1977

    Segundo Miguel Francisco “Michel”, os acontecimentos de 27 de Maio não podem ser reduzidos à narrativa de uma simples “intentona fraccionista”, expressão usada oficialmente durante décadas para descrever os acontecimentos.

    Na sua perspetiva, tratou-se de uma disputa essencialmente política dentro do MPLA, relacionada com a definição do rumo que o país deveria seguir após a independência.

    O sobrevivente recorda nomes como Nito Alves, José Van-Dúnem, Monstro Imortal, Bakaloff e Sianuk, apontando-os como figuras que defendiam determinados princípios políticos e ideológicos dentro do movimento.

    De acordo com Michel, a resposta à manifestação foi uma repressão previamente preparada, conduzida sob orientação de dirigentes que, segundo ele, procuravam manter o controlo absoluto do poder político.


    Críticas à narrativa da “Intentona Fraccionista”

    No documento, Miguel Francisco acusa alguns dos antigos dirigentes do MPLA de continuarem a sustentar a narrativa oficial dos acontecimentos, apesar das dúvidas e das informações que, ao longo dos anos, foram surgindo sobre o caso.

    O sobrevivente destaca o papel desempenhado pela imprensa estatal na época, particularmente o Jornal de Angola, que divulgava mensagens de apoio à repressão.

    Michel considera que o país precisa de uma Comissão da Verdade independente, composta por personalidades de reconhecida idoneidade moral e cívica, capaz de investigar os acontecimentos sem condicionamentos políticos.


    “Não vamos perder tempo com julgamentos”

    Entre os episódios mencionados no texto, o sobrevivente refere-se à frase atribuída ao então Presidente Agostinho Neto:

    “Não haverá perdão, nem tolerância contra todos aqueles que mataram e tentaram destruir o MPLA.”

    E acrescenta ainda outra expressão frequentemente associada à repressão daquele período:

    “Não vamos perder tempo com julgamentos.”

    Segundo Michel, estas declarações acabaram por servir de base política e moral para a perseguição e execução de milhares de militantes, sem direito a julgamento.


    Debate sobre patriotismo e dupla nacionalidade

    Além da reflexão histórica sobre o 27 de Maio, Miguel Francisco aproveitou a ocasião para abordar o que considera ser uma crescente crise de patriotismo entre alguns dirigentes angolanos.

    O sobrevivente criticou responsáveis políticos que, segundo afirma, acumulam fortunas em Angola enquanto procuram adquirir nacionalidade estrangeira, sobretudo portuguesa, e transferem os seus interesses e património para o exterior.

    Na sua visão, dirigentes com dupla nacionalidade não deveriam ocupar determinados cargos de elevada responsabilidade no Estado angolano.


    A exigência de verdade e reconciliação

    Ao encerrar a sua reflexão, Miguel Francisco “Michel” reafirma que o país continua a precisar de respostas claras sobre os acontecimentos de 1977.

    Para o sobrevivente, ignorar as causas profundas do massacre representa um obstáculo à construção de uma verdadeira reconciliação nacional.

    “O tempo é aliado da razão, porque esta corporiza o bem e a verdade”, conclui.


    Um capítulo ainda sensível da história angolana

    Os acontecimentos de 27 de Maio de 1977 continuam a dividir opiniões em Angola. Enquanto alguns defendem a narrativa oficial apresentada pelo Estado ao longo das décadas, outros exigem maior transparência, investigação histórica e reconhecimento das vítimas.

    Quase cinco décadas depois, o tema permanece como uma das páginas mais sensíveis e debatidas da história contemporânea angolana.


  • COMUNICADO FINAL: Luanda Aprova Plano de Acção para a Época Chuvosa 2023/2024 e Reforça Estratégias de Mitigação dos Impactos das Chuvas

    COMUNICADO FINAL: Luanda Aprova Plano de Acção para a Época Chuvosa 2023/2024 e Reforça Estratégias de Mitigação dos Impactos das Chuvas

    Causa das chuvas na Avenida Brasil

    Luanda Aprova Plano de Acção para a Época Chuvosa 2023/2024 e Reforça Estratégias de Mitigação dos Impactos das Chuvas

    Categoria Sugerida: Notícias

    Por João Bartolomeu Callawey
    Investigador independente da cultura linguística angolana e comunicação digital.
    Wikipedia: https://callawey.art.blog/2026/05/14/joao-domingos-bartolomeu-callawey-boy-negro-biografia/

    Artigo original para publicação digital
    © Todos os direitos reservados

    Introdução

    A gestão dos efeitos provocados pelas chuvas intensas continua a representar um dos maiores desafios para a Província de Luanda. O crescimento populacional acelerado, a expansão urbana desordenada em determinadas zonas e as limitações históricas das infra-estruturas de drenagem tornam a capital angolana particularmente vulnerável durante os períodos de precipitação elevada.

    Neste contexto, as autoridades provinciais têm vindo a desenvolver mecanismos de prevenção, resposta e mitigação dos impactos associados à época chuvosa. A adopção de estratégias coordenadas entre diferentes instituições públicas procura reduzir riscos para as populações, proteger bens materiais e garantir uma resposta mais eficaz perante situações de emergência.

    Foi precisamente com este objectivo que a Comissão Provincial de Protecção Civil promoveu uma importante reunião de avaliação e planeamento, destinada a analisar o comportamento da época chuvosa e definir as principais medidas para o período subsequente.

    Reunião da Comissão Provincial de Protecção Civil

    Na sequência das acções de mitigação dos efeitos da chuva na Província de Luanda, a Comissão Provincial de Protecção Civil reuniu, na manhã desta segunda-feira, 11 de Dezembro, no Salão Nobre Dr. António Agostinho Neto.

    Durante o encontro foram apreciados diversos documentos estratégicos relacionados com a gestão dos riscos associados à época chuvosa. Entre os temas analisados destacaram-se o Pré-Balanço da Época Chuvosa referente ao período compreendido entre 15 de Agosto e 1 de Dezembro, o Plano de Intervenção na Macro Drenagem e Zonas de Depressão Natural, bem como a Previsão Meteorológica para a Época Chuvosa 2023/2024.

    A reunião permitiu reunir informações actualizadas sobre o estado das infra-estruturas, os desafios enfrentados nos meses anteriores e as perspectivas meteorológicas para os meses seguintes, possibilitando uma melhor preparação das instituições envolvidas na protecção das populações.

    Análise do Pré-Balanço da Época Chuvosa

    Um dos pontos centrais da reunião foi a avaliação preliminar dos efeitos registados durante a fase inicial da época chuvosa.

    O pré-balanço permitiu identificar áreas críticas da província, zonas frequentemente afectadas por inundações e dificuldades associadas ao escoamento das águas pluviais. Este processo de avaliação constitui uma ferramenta essencial para a tomada de decisões, uma vez que possibilita compreender quais medidas produziram resultados positivos e quais necessitam de reforço.

    A análise dos dados recolhidos ao longo dos meses anteriores permitiu ainda avaliar a capacidade de resposta dos órgãos de emergência e protecção civil, contribuindo para a definição de novas estratégias de actuação.

    Importância da Macro Drenagem para Luanda

    Outro aspecto relevante debatido durante a reunião foi o Plano de Intervenção na Macro Drenagem e nas Zonas de Depressão Natural.

    A macro drenagem desempenha um papel fundamental na prevenção de inundações urbanas, permitindo o encaminhamento adequado das águas provenientes das chuvas para canais, valas e sistemas de escoamento preparados para esse efeito.

    Em cidades com elevada densidade populacional, como Luanda, a existência de sistemas de drenagem eficientes representa uma condição indispensável para minimizar prejuízos materiais e evitar situações de risco para os moradores.

    As zonas de depressão natural merecem atenção especial devido à sua tendência para acumular grandes quantidades de água durante períodos de precipitação intensa. A intervenção nestes locais procura reduzir a vulnerabilidade das comunidades residentes e prevenir possíveis situações de emergência.

    Previsões Meteorológicas para a Época Chuvosa 2023/2024

    As previsões meteorológicas apresentadas durante o encontro forneceram informações importantes para o planeamento das acções preventivas.

    O acompanhamento das tendências climáticas permite às autoridades antecipar cenários de maior risco e mobilizar recursos de forma mais eficiente. A previsão de períodos de chuva intensa exige preparação antecipada das equipas técnicas, dos serviços de emergência e das administrações locais.

    A utilização de informações meteorológicas actualizadas tem-se tornado uma ferramenta indispensável para a gestão moderna dos riscos climáticos, contribuindo para reduzir o impacto de fenómenos naturais sobre as populações.

    Aprovação do Plano de Acção para a Época Chuvosa 2023/2024

    Como resultado das análises realizadas, foi aprovado o Plano de Acção para a Época Chuvosa 2023/2024.

    Este plano estabelece um conjunto de medidas destinadas a reforçar a capacidade de resposta das instituições provinciais perante situações de emergência provocadas pelas chuvas. Entre as prioridades encontram-se a limpeza e manutenção dos sistemas de drenagem, a monitorização permanente das zonas de risco, a sensibilização das comunidades e a coordenação entre os diferentes organismos responsáveis pela protecção civil.

    A aprovação deste instrumento demonstra a intenção das autoridades de adoptar uma abordagem preventiva, privilegiando a antecipação dos problemas em vez da simples reacção aos seus efeitos.

    Desafios Urbanos e Vulnerabilidade da Capital

    Apesar dos esforços desenvolvidos, Luanda continua a enfrentar desafios significativos relacionados com a gestão das águas pluviais.

    O crescimento urbano acelerado, a ocupação de áreas susceptíveis a inundações e a deposição inadequada de resíduos sólidos nos sistemas de drenagem constituem factores que agravam os impactos das chuvas.

    Em muitas situações, os canais de escoamento acabam obstruídos por lixo e sedimentos, reduzindo a sua capacidade operacional e aumentando o risco de transbordamentos. Esta realidade evidencia a necessidade de uma participação activa da população na preservação das infra-estruturas urbanas.

    O Papel da População na Prevenção dos Riscos

    A mitigação dos efeitos das chuvas não depende exclusivamente da intervenção das autoridades.

    A colaboração dos cidadãos é igualmente determinante para garantir o funcionamento adequado dos sistemas de drenagem e reduzir situações de perigo. Acções simples, como evitar o descarte de resíduos em valas e canais, podem contribuir significativamente para minimizar os riscos de inundação.

    A consciencialização comunitária e a educação ambiental continuam a ser instrumentos fundamentais para promover comportamentos responsáveis e fortalecer a capacidade de prevenção das comunidades.

    Perspectivas para os Próximos Meses

    Com a aprovação do Plano de Acção para a Época Chuvosa 2023/2024, a Província de Luanda procura reforçar a sua capacidade de enfrentar os desafios impostos pelas condições climáticas sazonais.

    A articulação entre os órgãos de protecção civil, as administrações locais, os serviços técnicos e a população poderá desempenhar um papel decisivo na redução dos impactos das chuvas e na protecção de vidas humanas.

    O sucesso das medidas aprovadas dependerá não apenas da sua implementação efectiva, mas também da continuidade dos investimentos em infra-estruturas de drenagem, planeamento urbano e educação cívica.

    Conclusão

    A reunião da Comissão Provincial de Protecção Civil representa mais um passo no esforço contínuo para enfrentar os desafios associados à época chuvosa em Luanda. A análise do pré-balanço, a avaliação das previsões meteorológicas e a aprovação do Plano de Acção para 2023/2024 demonstram a preocupação das autoridades em adoptar medidas preventivas e fortalecer a capacidade de resposta institucional.

    Num contexto de crescente pressão urbana e desafios climáticos cada vez mais complexos, o planeamento estratégico e a cooperação entre Estado e cidadãos surgem como elementos essenciais para garantir maior segurança, resiliência e protecção das comunidades da capital angolana.

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